Manutenção do ´status quo´ do PRA-JA pode ser benéfico para UNITA
A falta do «SIM» do Tribunal Constitucional aos pedidos de legalização do projecto político PRA-JA Servir Angola, de Abel Chivukuvuku, também estará a beneficiar a UNITA, maior partido na oposição, que acabou por «arrastar» a referida organização para as suas fileiras.

Registro autoral da fotografia
A adesão pouco complexa para a UNITA do projecto político de Abel Chivukuvuku nas suas fileiras, sob capa de plataforma Frente Patriótica Unida (FPU), resultou, em parte, do facto de a referida organização não ter sido legalizada, facto que não oferecia outra opção aos mentores do projecto, que se manifestavam ávidos por participar no pleito eleitoral passado (2022), depois do «desenlace» com a CASA-CE.
Como escreveu o Novo Jornal, na sua edição do dia 2 de Outubro de 2020, numa matéria intitulada: “Adalberto vigiado e combatido até à exaustão”, Abel Chivukuvuku, mentor do projecto PRA-JA, acabou “fragilizado” com o indeferimento que recebeu do Tribunal Constitucional, e por conta dessa fragilidade, o político que já havia avisado que participaria das eleições de 2022, nem que tivesse que “passar pela janela”, aderiu ao chamamento de Adalberto Costa Júnior, para incorporar o seu projecto na UNITA, sob capa de Frente Patriótica Unida (FPU), sem levantar grandes questões, que pudessem «aquecer» o galinheiro.
A concepção da FPU, a plataforma não formalizada, por via da qual Adalberto Costa Júnior colocou nomes ligados ao PRA-JA e ao Bloco Democrático, na lista de deputados dos «maninhos», foi bastante contestada por altos dirigentes da UNITA que, no congresso de 2021, que reconduziu ACJ à liderança, depois da anulação pelo Tribunal Constitucional, do congresso de 2019, advertiram a ACJ que a FPU só teria «pernas para andar» caso não fosse transformada em Coligação Eleitoral, situação que obrigaria a UNITA a abdicar de sua marca e símbolos.
No seio do Bloco Democrático, a anexação do partido à UNITA também não foi bem vista, embora os resultados eleitorais de 2022 tenham sido uma mais-valia para o partido e seus quadros que passaram a ocupar lugares no Parlamento por via da UNITA. A exigência de alguns altos dirigentes do Bloco Democrático era de que ao invés de o partido concorrer ao pleito eleitoral de 24 de Agosto passado, atrelado à UNITA, fosse criada uma Coligação Eleitoral, algo impensável para os guardiões de «Muangai».
Entretanto, o PRA-JA, de Chivukuvuku, embora não sendo legalizado, é mais poderoso, em termos numéricos e de capacidade de mobilização, em relação ao Bloco Democrático, mas a sua liderança não pode forçar a criação de uma Coligação com a UNITA, tendo em conta a sua condição de ilegalidade. Ou seja, o PRA-JA, face à capacidade mobilizadora de seu líder Abel Chivukuvuku, agora mais certificada com o abalo que sobreveio à Coligação CASA-CE, de onde foi apeado da direcção, em 2019, dificilmente aceitaria concorrer às eleições a coberto da marca e símbolos da UNITA, caso fosse legalizado.
E é certo que, com Abel Chivukuvuku na corrida eleitoral, liderando uma força política independente, a UNITA não teria conseguido o resultado eleitoral que alcançou.
C/CK
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