0º C

•

14 : 16

Eleições de 2027: activista admite contestação violenta se instituições angolanas falharem

O activista angolano Luaty Beirão receia que a falta de transparência no processo eleitoral de 2027 volte a gerar tensão e violência em Angola, à semelhança dos tumultos de Julho de 2025. O activista admitiu que a contestação poderá assumir formas violentas se as instituições não garantirem os direitos dos cidadãos, numa mesa-redonda sobre justiça eleitoral realizada em Lisboa.

Registro autoral da fotografia

Há 50 minutos
2 minutos de leitura

“Se as instituições falham, que outra forma tem o povo de fazer valer a sua suprema posição no aparelho de Estado?”, questionou Luaty Beirão, que apresentou o trabalho da organização Mudei sobre a preparação das eleições. O activista criticou a opacidade do processo e alertou para o uso de leis sobre notícias falsas e segurança nacional como possíveis instrumentos de condicionamento político.

Apesar dos receios, Luaty Beirão considera que a mobilização da sociedade civil angolana continua reduzida. Manifestou também preocupação com eventuais restrições de acesso à Internet durante o período eleitoral, admitindo que problemas registados na operadora Unitel possam ter servido para testar mecanismos de suspensão das comunicações. O activista criticou ainda a rapidez com que Portugal reconheceu os resultados das eleições de 2022, apesar da contestação interna.

A investigadora Paula Roque, também participante no encontro, alertou para riscos de desinformação, manipulação dos cadernos eleitorais, compra de votos, intimidação e vigilância. Defendeu, contudo, que a mobilização colectiva pode abrir caminho à mudança política e destacou a importância da diáspora na defesa da liberdade e do pluralismo. A investigadora criticou igualmente a legislação sobre notícias falsas e segurança nacional, por considerar que permite actuações arbitrárias das autoridades.

O encontro contou ainda com a presença do político moçambicano Venâncio Mondlane, recebido com aplausos e palavras de ordem. No final, o presidente da organização moçambicana Anamola denunciou a morte de 56 membros da estrutura num ano e acusou o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, de responsabilidade pelo que classificou como uma “carnificina”.

C/Lusa