Bispos católicos criticam discursos políticos que não inspiram e lamentam pobreza em Angola
O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) criticou esta Segunda-feira os discursos políticos que “não inspiram” e que insistem na partidarização da história de Angola, e lamentou o aumento progressivo de pobres no país.

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“Não deixo de olhar com preocupação alguns fenómenos presentes na nossa sociedade e que muitos danos estão a provocar nas nossas famílias: discursos políticos que não inspiram, não motivam e nem galvanizam porque continuam a fazer de nós reféns do nosso passado inglório”, afirmou esta Segunda-feira José Manuel Imbamba, na abertura da 1.ª Assembleia Plenária dos Bispos da CEAST, em Luanda.
O arcebispo angolano afirmou que os referidos discursos políticos, em Angola, “insistem” na instigação do ódio, da divisão, da exclusão, da partidarização da história e do fixismo político e ideológico.
“Enquanto nos mantivermos sempre em linhas paralelas, até nos assuntos mais nobres do Estado, nunca desfrutaremos as benesses da nossa independência, estaremos sempre a gravitar na nossa miséria humana, social, política, económica, religiosa e cultural”, referiu.
O responsável defendeu a necessidade de se “redescobrir e reinventar” a mística da política “para que esteja sempre ao serviço desinteressado do bem comum e da felicidade dos cidadãos”.
José Manuel Imbamba lamentou igualmente os “altos níveis de desigualdade económica, com grande disparidade entre os mais ricos, cujo número se vai reduzindo progressivamente, e os mais pobres, cujo número não cessa de aumentar” no país.
Considerou que o elevado número de crianças fora do sistema de ensino, “especialmente entre as camadas mais pobres”, e as taxas de desemprego “cada vez mais assustadoras”, contribuem “grandemente para a marginalização social e o aumento da criminalidade”.
O sistema de saúde “continua a enfrentar desafios significativos” no capítulo, sobretudo da humanização dos serviços e dos seus agentes, denunciou.
Para o também arcebispo de Saurimo, a insegurança alimentar constitui preocupação no país, observando que os recentes escândalos financeiros no sector da administração pública são situações que geram um “clima de desconfiança, incerteza e desconforto”.
“E revelam uma gravíssima crise da ética e do patriotismo”, frisou.
Angola celebra os 50 anos de independência a 11 de Novembro de 2025, uma ocasião que, para o presidente da CEAST, deve ser aproveitada para a união de esforços entre os angolanos para a mudança do actual quadro “tão sombrio e imerecido”.
A ocasião “é mesmo esta aproveitando as graças do ano jubilar dos 50 anos da nossa independência, jubileu é sinónimo de libertação, de novo começo, novas oportunidades, novos sonhos, assentes na justiça restauradora, na verdade libertadora, no amor misericordioso, no perdão construtivo e na reconciliação acolhedora”, notou.
Defendeu ainda um diálogo permanente, com a contribuição de todos, para conduzir Angola à cultura do encontro, da amizade social, da paz e do progresso humano e social.
O sonho por uma Angola melhor “não deve permanecer no sonho. A todos, por conseguinte, estendo o meu apelo para que cresçamos na qualidade da nossa consciência e na nossa beleza humana espiritual, cultural, cívica e profissional”, referiu.
O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé sinalizou também a importância de se fomentar entre os angolanos a cultura da cidadania autêntica, da inclusão e da meritocracia “promovendo as cadeiras humanísticas e éticas em todas as escolas públicas e privadas e garantindo a formação ética permanente aos nossos funcionários públicos”.
O colégio episcopal congratulou-se pela eleição do Presidente João Lourenço, a presidência rotativa da União Africana.
O estatuto do delegado da CEAST para a Educação, o relatório das comunidades diocesanas e a apresentação da comissão nacional para a salvaguarda de menores e pessoas vulneráveis são alguns dos temas que marcam a agenda de trabalhos desta plenária que decorre até Sexta-feira.
C/VA
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