0º C

12 : 58

Estrada com «feridas da guerra» trava ambulância com doente no Bié

Uma ambulância que fazia o trajecto entre o município do Cuemba e a cidade do Cuito, no Bié, ficou completamente imobilizada devido ao péssimo estado da Estrada Nacional nº 250 — uma via marcada por feridas ainda abertas da guerra civil.

Registro autoral da fotografia

Há 19 horas
2 minutos de leitura

O transporte de emergência levava doentes ao hospital provincial “Dr. Walter Stranguay”, referência na região, mas viu-se travado por crateras e buracos que mais parecem trincheiras de guerra do que uma estrada nacional. Os vestígios de minas e explosões ainda marcam profundamente este corredor rodoviário que, longe de ter sido reabilitado, piora com a intensidade das chuvas.

A degradação da estrada não é apenas uma questão de mobilidade. É um factor que bloqueia o desenvolvimento socioeconómico da região, impede o escoamento de produtos, limita o acesso a serviços essenciais e, como neste caso, põe vidas humanas em risco.

O Cuemba, palco de duros confrontos durante o conflito armado, continua à margem do progresso, apesar de tímidos avanços. Entre eles, destaca-se a asfaltagem recente da sede municipal, a primeira desde a sua elevação a município, e a inauguração de um hospital regional moderno pelo Presidente da República, João Lourenço. Esta unidade sanitária tem capacidade para atender pacientes vindos não só do Bié, mas também das províncias vizinhas do Moxico e Malanje.

Ainda assim, os 164 quilómetros que separam o Cuemba da cidade do Cuito, e os 204 até ao Luena, no Moxico, continuam a ser uma verdadeira tortura para qualquer condutor — e um perigo real para quem necessita de atendimento médico urgente.

PONTUAL, fonte credível de informação.