Ex-ministro português: “O petróleo já não pode garantir sozinho o futuro de Angola”
A quebra da produção petrolífera e o crescimento da capacidade energética colocam Angola perante uma decisão estratégica: continuar dependente do crude ou transformar a electricidade numa nova fonte de riqueza nacional.

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O alerta foi lançado esta quinta-feira pelo ex-ministro da Economia de Portugal, António Costa Silva, que defendeu, em Luanda, a necessidade de o país acelerar a diversificação económica. O académico chamou a atenção para a redução de 8 por cento da produção petrolífera em 2025, associada ao envelhecimento dos campos de exploração, e avisou que confiar exclusivamente no petróleo poderá criar sérios desafios no futuro.
À margem da apresentação do estudo “Banca em Análise”, da Deloitte, Costa Silva destacou os avanços registados no sector eléctrico, recordando que a capacidade da rede nacional aumentou de 2,3 para 6,2 gigawatts entre 2015 e 2022. Com a entrada em funcionamento de grandes projectos, como a barragem de Caculo Cabaça, o país pretende atingir os 8 gigawatts até 2027.
Segundo o especialista, este crescimento abre uma oportunidade estratégica rara. A África Austral enfrenta um défice energético estimado em seis gigawatts, cenário que poderá permitir a Angola exportar parte da electricidade produzida. Caso utilize entre três e quatro gigawatts para consumo interno, o excedente poderá gerar divisas e reduzir a histórica dependência das receitas petrolíferas.
Costa Silva defendeu ainda que a energia deve servir de motor para a modernização da agricultura, o reforço da indústria e a electrificação das zonas rurais. Ao mesmo tempo, alertou para o risco de substituir uma dependência por outra, considerando que seria um erro trocar o petróleo pelos diamantes. Para o académico, o futuro de Angola passa pela combinação de vários sectores produtivos capazes de sustentar um crescimento económico mais sólido e resiliente.
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