Massacre no leste da RDC: ataque do M23 faz 13 mortos e ameaça esforços de paz
O terror voltou a instalar-se no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) com um ataque brutal dos rebeldes do Movimento 23 de Março (M23), que resultou na morte de pelo menos 13 civis, na noite de Terça-feira.

Registro autoral da fotografia
A ofensiva, que decorreu no território de Nyirangongo, perto da cidade estratégica de Goma, capital da província de Kivu Norte, dissipou as esperanças de um cessar-fogo e comprometeu as recentes tentativas diplomáticas de pôr fim ao conflito.
O ataque ocorreu poucas horas depois de um encontro de alto nível em Doha, no qual os Presidentes Félix Tshisekedi (RDCongo) e Paul Kagame (Ruanda) discutiram, sob mediação do emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al-Thani, a necessidade de um cessar-fogo imediato. No entanto, enquanto os líderes políticos apelavam à paz, os relatos no terreno evidenciavam a continuidade da violência imposta pelo M23.
Segundo Julien Kinyambisa, líder da sociedade civil de Nyirangongo, as vítimas eram jovens e foram executadas sem explicação. “Não sabemos por que motivo foram eliminadas, mas a brutalidade do ataque confirma que o M23 continua a desafiar a estabilidade na região”, afirmou Kinyambisa.
Os esforços diplomáticos para travar o avanço dos rebeldes têm fracassado repetidamente. A cimeira de paz prevista para Dezembro, em Luanda, nunca chegou a acontecer devido à ausência de Paul Kagame, frustrando um acordo de cessar-fogo assinado em Julho na capital angolana. Agora, um novo impasse emergiu com o cancelamento do diálogo de paz directo entre a RDCongo e os rebeldes, que deveria ter decorrido esta semana em Angola. O M23 recusou-se a participar, alegando sanções impostas pela União Europeia contra alguns dos seus líderes.
Num comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Angola garantiu que o encontro foi apenas adiado e que Luanda continuará a trabalhar para um diálogo efectivo. “O Governo angolano mantém-se firme na sua posição de que apenas a via diplomática pode assegurar a paz no leste da RDCongo”, sublinha a nota oficial.
Entretanto, a situação no terreno deteriora-se. Desde Janeiro, os rebeldes do M23 expandiram significativamente a sua influência, capturando Goma e, posteriormente, Bukavu, a capital da vizinha província de Kivu do Sul. O grupo armado controla agora dois dos mais importantes centros urbanos do leste congolês, regiões ricas em minerais estratégicos como ouro e coltan – essenciais para a indústria tecnológica global.
Apesar das múltiplas denúncias da ONU e de países como os Estados Unidos, França e Alemanha, que acusam o Ruanda de apoiar o M23, Kigali continua a negar qualquer envolvimento directo com os rebeldes.
PONTUAL, fonte credível de informação.
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