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Vergonha Nacional: Bolseiros do INAGBE sem subsídios há 5 meses, estudantes falam de dias difíceis

Estudantes bolseiros do ensino superior interno vivem um cenário de desespero com atrasos sucessivos nos subsídios, que já ultrapassam cinco meses sem qualquer justificação oficial. O presidente da Associação dos Estudantes e Ex-Bolseiros Internos do Ensino Superior de Angola (AEEBISA), António Armando, levanta suspeitas de desvio de fundos no Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), alegando que a demora no pagamento não tem qualquer explicação plausível.

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Há 1 mês
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De acordo com a associação estudantil, milhares de jovens, especialmente os matriculados em universidades privadas, enfrentam graves dificuldades, sendo impedidos de realizar exames ou até mesmo de aceder às suas notas. Apesar das constantes manifestações e exigências de resposta, o silêncio das autoridades permanece ensurdecedor.

Para António Armando, os indícios de corrupção no INAGBE são evidentes, uma vez que os valores destinados aos subsídios já constam do Orçamento Geral do Estado e deveriam estar disponíveis desde o início do ano académico. “Os estudantes dependem destes subsídios para custear propinas e outras despesas académicas. Não há razão lógica para tamanha demora, a não ser má gestão ou desvio de verbas”, frisou.

A denúncia ganha ainda mais peso com as revelações do portal Maka Angola, que apontam um “buraco” financeiro superior a 21 mil milhões de kwanzas no INAGBE, resultado de pagamentos e transferências sem qualquer justificação. O escândalo inclui ainda 101 bolseiros fantasma, que recebem subsídios sem estarem inscritos em nenhuma instituição de ensino.

O clima de revolta cresce entre os estudantes, que veem o atraso de subsídios tornar-se uma prática recorrente, agora agravada pela ausência de respostas. “O INAGBE só paga quando os estudantes saem às ruas para exigir o que lhes é de direito”, acusou o dirigente associativo, defendendo uma intervenção urgente da Procuradoria-Geral da República e da Inspecção Geral da Administração do Estado para investigar a situação.

Tentativas de contacto com responsáveis do INAGBE revelaram-se infrutíferas. O chefe do Departamento de Bolsas Internas recusou pronunciar-se, alegando necessidade de autorização superior, enquanto o gabinete do director-geral não respondeu às solicitações. Enquanto isso, os estudantes continuam à deriva, sem saber quando — e se — receberão os subsídios de que dependem para continuar os estudos.

PONTUAL, fonte credível de informação.