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África exige contas à Europa: conferência no Gana relança pressão por reparações da escravatura

O debate sobre as reparações pela escravatura entrou numa nova fase após líderes africanos e caribenhos reunidos no Gana terem lançado um apelo contundente aos antigos impérios coloniais europeus para que apresentem pedidos formais de desculpa e avancem com compensações pelos séculos de tráfico de africanos escravizados.

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A exigência surgiu durante a conferência internacional “Next Steps – Próximos Passos”, realizada entre 17 e 19 de Junho, em Acra, poucos meses depois de uma resolução histórica das Nações Unidas ter classificado a escravatura e o tráfico transatlântico de africanos como “o mais grave crime contra a humanidade”. Na declaração final, os participantes defenderam que um pedido de desculpas “completo, formal e incondicional” constitui um passo indispensável para a reconciliação e para a construção de uma justiça reparatória efectiva.

O Presidente do Gana, John Dramani Mahama, considerou que a resolução da ONU abriu uma oportunidade sem precedentes para transformar décadas de debate em acções concretas. Segundo o estadista, as consequências da escravatura continuam visíveis em África, nas Caraíbas e entre as comunidades da diáspora africana, exigindo uma resposta internacional coordenada e sustentada.

Estima-se que cerca de 12 milhões de africanos tenham sido retirados à força do continente entre os séculos XVI e XIX, alimentando um sistema económico que enriqueceu potências coloniais à custa de sofrimento humano. Entre as propostas em discussão estão indemnizações financeiras, programas de desenvolvimento económico e a restituição de bens e recursos apropriados durante o período colonial. Contudo, a criação de um Fundo Global de Reparações continua sem consenso, sobretudo devido às resistências políticas registadas em vários países ocidentais.

Apesar das divergências, a conferência de Acra reforçou a crescente internacionalização da causa reparatória. O que durante décadas permaneceu restrito a círculos académicos e movimentos activistas assume agora dimensão diplomática e política, alimentando uma questão cada vez mais incómoda para as antigas potências coloniais: estará o reconhecimento moral do passado prestes a transformar-se numa factura histórica com consequências concretas?