0º C

22 : 46

Organização internacional acusa Angola de violações graves dos direitos humanos

A Human Rights Watch (HRW) lançou duras críticas às autoridades angolanas, ao denunciar alegados abusos policiais e restrições à liberdade de imprensa, num relatório divulgado esta quarta-feira sobre a situação dos direitos humanos no mundo.

Registro autoral da fotografia

Há 8 horas
2 minutos de leitura

No capítulo dedicado a Angola, a organização internacional sustenta que, ao longo de 2025, as forças de segurança recorreram de forma reiterada ao uso excessivo da força para conter protestos, com registo de detenções arbitrárias de manifestantes, activistas e jornalistas, em alguns casos com consequências fatais.

A HRW destaca a repressão durante uma greve de taxistas iniciada a 28 de Julho, que terá durado três dias e resultado, segundo a ONG, em pelo menos 29 mortos, centenas de feridos e mais de 1.200 detenções nas províncias de Luanda, Huambo, Benguela e Huíla.

O relatório aponta ainda episódios envolvendo profissionais da comunicação social, como a detenção, em Fevereiro, de um correspondente da Deutsche Welle, juntamente com outros manifestantes, entre os quais dois deputados da oposição, durante uma marcha no Kwanza Norte, bem como a detenção de dez mulheres numa manifestação contra a violência de género, em Luanda, com destruição de cartazes pela polícia.

No domínio da liberdade de imprensa, a organização recorda a suspensão judicial, em Setembro, de uma greve nos órgãos públicos de comunicação social por alegada violação do direito à informação, além da detenção, em Agosto, de dois jornalistas pelo Serviço de Investigação Criminal num processo associado a terrorismo, sem esclarecimento público dos factos, um dos quais acabou libertado sem acusação.

A HRW menciona igualmente a expulsão de uma equipa da RTP de um evento na Presidência da República, em Maio, classificada pelo canal português como um ataque à liberdade de imprensa, bem como a persistência de detenções relacionadas com protestos políticos e o agravamento das tensões em Cabinda, onde confrontos armados terão causado vítimas civis, num relatório que analisa a situação dos direitos humanos em mais de uma centena de países.

Com Lusa