Poder Informal em Ascensão: Denúncias apontam para interferências privadas nas Instituições Moçambicanas
Um conjunto de relatos provenientes de empresários, funcionários públicos e fontes políticas reforça a preocupação sobre o alegado fortalecimento de um poder informal que estaria a interferir nas decisões de sectores estratégicos em Moçambique. Segundo estas denúncias, o Estado enfrenta um risco crescente de captura por interesses privados, com impacto directo na confiança dos investidores, no ambiente de negócios e na credibilidade institucional.

Registro autoral da fotografia
As alegações descrevem um cenário marcado por erosão da concorrência económica, fragilização das instituições, perda de credibilidade internacional e um clima generalizado de “medo e incerteza”. Para observadores ouvidos, esta dinâmica estaria a criar “um Estado dentro do Estado”, onde decisões sensíveis seriam influenciadas por indivíduos sem mandato público.
Um dos nomes mais citados nas denúncias é o de Alcides Viegas Chihono, popularmente conhecido como Cantoná. Segundo as fontes, a sua trajectória representa a ascensão de um agente informal ao centro de decisões que, tradicionalmente, pertencem às instituições do Estado.
O ex-jogador de futebol, que não teve carreira de destaque, teria reinventado-se como intermediário e posteriormente como empresário. As denúncias mencionam que o seu nome surge em alegados episódios de ligações ao narcotráfico — casos que nunca avançaram judicialmente — e apontam que o seu atual estilo de vida, marcado por carros de luxo, imóveis de elevado valor e participações empresariais, não encontra correspondência no seu histórico financeiro conhecido.
Fontes do sector económico e institucional referem ainda:
- Sinais de riqueza incompatíveis com o percurso público de Cantoná,
- Alegada capacidade de influenciar nomeações, decisões fiscais e processos administrativos,
- Envolvimento em investimentos estrangeiros de origem contestada,
- Actuação como intermediário em sectores como energia, minas, banca e telecomunicações.
O dossiê descreve-o como um “primeiro-ministro informal”, com acesso privilegiado a gabinetes e estruturas estatais.
Expansão económica e suspeitas sobre a origem dos fundos
Investigações e relatos não oficiais mencionam que Cantoná teria participação em investimentos oriundos de grupos nigerianos, angolanos e chineses. Entre os projectos apontados está um microbanco criado em parceria com entidades cuja reputação internacional é descrita como controversa.
A falta de transparência sobre a origem dos capitais é vista por diversas fontes como um risco significativo para a soberania institucional do país.
Estas alegações são agravadas por percepções de que a Procuradoria-Geral da República estaria debilitada na fiscalização, com processos supostamente arquivados sem esclarecimento público.
Entre os bens atribuídos a Cantoná estão um duplex avaliado em mais de 800 mil dólares, localizado na Marginal, e uma frota de viaturas de gama alta. Empresários questionam como tais aquisições foram financiadas e qual o nível de contribuição fiscal associado à importação desses veículos.
Há ainda relatos de que, durante o período eleitoral, Cantoná teria aproximado ao Presidente Daniel Chapo um grupo de investidores estrangeiros que alegadamente teria apresentado elevadas quantias em dinheiro vivo. Essa suposta aproximação, segundo o documento, permitiria ao empresário circular livremente por entidades como o Gabinete do Presidente, SERNIC, PGR e diversos ministérios.
Ligações internacionais e uso de jatos privados
Outra dimensão mencionada é o uso frequente de jatos privados em deslocações dentro e fora do país, supostamente contratados a empresas como a BestFly e a Lanceria. Segundo fontes, estes registos podem ilustrar o nível de recursos envolvidos na sua actividade.
Cantoná é igualmente associado a Wicknell Chivayo, influente empresário zimbabueano conhecido pela ostentação e proximidade ao poder político. Há relatos de que Cantoná teria recebido três viaturas de luxo como oferta.
Ao lado de Cantoná surge Ingilo Dalsuco, descrito por várias fontes como o estratega da dupla. Enquanto Cantoná seria o rosto mais visível, Dalsuco seria quem actua nos bastidores, com crescente influência nas estruturas do Estado.
As denúncias mencionam:
- alegações de agiotagem com taxas consideradas abusivas,
- rápida expansão patrimonial,
- suposta interferência em processos sensíveis ligados à PGR,
- ligações familiares ao ex-ministro das Finanças Manuel Chang, o que intensifica suspeitas sobre a origem do seu poder.
Em conjunto, Cantoná e Dalsuco são descritos como a expressão mais acabada de um modelo de poder extra-institucional que, segundo as fontes, estaria a condicionar a governação e o funcionamento de várias entidades públicas.
O documento que compila estas informações reforça que as denúncias carecem de investigação formal, mas alerta para a repetição de padrões que, somados, sugerem riscos significativos para o funcionamento normal das instituições de Estado.
Se quiser, posso continuar a transcrever o restante conteúdo em formato jornalístico ou transformar todo o dossiê num grande especial investigativo.
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