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PRA-JA lança incógnita sobre futuro na FPU e promete decisões de peso em Maio

O PRA-JA Servir Angola anunciou que irá definir, em Maio, o seu posicionamento na Frente Patriótica Unida (FPU), levantando especulações sobre uma possível reconfiguração do tabuleiro político da oposição angolana.

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Há 20 horas
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A revelação foi feita esta quarta-feira, 2 de Abril, durante uma conferência de imprensa, onde a direcção do partido liderado por Abel Chivukuvuku apresentou a agenda e o calendário do Congresso Constitutivo, evento que promete trazer debates intensos e decisões estratégicas para o futuro da organização.

PRA-JA nega conflito com UNITA, mas deixa recado

No encontro com os jornalistas, Carlos Xavier, antigo secretário provincial do PRA-JA em Malanje e um dos deputados que abandonaram a FPU, procurou afastar rumores de conflitos com outras forças da oposição, nomeadamente a UNITA, partido com o qual o PRA-JA tem sido associado nos últimos tempos.

“Não temos nada contra nenhuma formação política, muito menos contra a UNITA”, garantiu Xavier, numa aparente tentativa de desanuviar o clima de troca de farpas que tem marcado os bastidores da oposição. No entanto, fontes próximas da estrutura do partido apontam para um crescente desalinhamento interno quanto à estratégia da FPU, o que poderá influenciar as decisões que serão tomadas no congresso.

PRA-JA reivindica legado de Neto, Savimbi e Holden Roberto

O discurso de Carlos Xavier trouxe também um forte apelo ideológico e histórico, associando o PRA-JA aos princípios defendidos por figuras emblemáticas da política angolana.

“O nosso partido identifica-se com os valores de Liberdade e Terra, defendidos por Álvaro Holden Roberto, com a visão de resolver os problemas do povo, promovida por António Agostinho Neto, e com a prioridade absoluta ao cidadão angolano, uma bandeira erguida por Jonas Malheiro Savimbi”, afirmou.

Com este enquadramento, o PRA-JA procura consolidar uma identidade própria, distanciando-se da ideia de ser um mero apêndice da UNITA e assumindo-se como um actor autónomo na política nacional.

Mil e quinhentos delegados decidem rumo do partido

O Congresso Constitutivo, que reunirá 1.500 delegados, será palco de discussões determinantes para o futuro do PRA-JA. Entre os temas em debate, destaca-se a redefinição da sua posição na FPU, uma plataforma política que junta os principais partidos da oposição com o objectivo de desafiar o MPLA nas próximas eleições.

Além disso, estarão em cima da mesa questões político-administrativas que afectam as diferentes províncias, num contexto em que a oposição enfrenta desafios internos e externos para consolidar uma alternativa viável ao poder estabelecido.

A incógnita sobre a permanência do PRA-JA na Frente Patriótica Unida promete marcar os próximos meses e poderá redesenhar o xadrez político angolano. Até Maio, resta esperar para saber se o partido de Abel Chivukuvuku continuará a trilhar o caminho da unidade ou se optará por um rumo independente.

C/CK