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UNITA anuncia negociações “muito avançadas” para Fundação Carter ser observadora eleitoral

A UNITA anunciou esta Quinta-feira que as negociações para a presença da Fundação Carter como observadora das eleições gerais de 2027 se encontram “muito avançadas”, num movimento que promete agitar o debate sobre a transparência do processo eleitoral em Angola.

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A revelação foi feita pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, durante a apresentação do seu livro sobre as eleições de 2022, em Lisboa, onde afirmou que a UNITA tem trabalhado junto de instituições internacionais para garantir uma observação eleitoral independente, depois de sucessivas recusas do Governo à presença da União Europeia.

Segundo o líder da UNITA, o Executivo tem limitado a observação eleitoral a missões africanas “seleccionadas”, o que, no seu entender, compromete a credibilidade do processo. Costa Júnior ironizou ainda a posição do Governo, sublinhando que seria difícil justificar uma rejeição à Fundação Carter, instituição norte-americana com reconhecimento internacional.

Embora reconheça que a competência formal para endereçar convites às missões de observação cabe ao Governo, o dirigente da UNITA defende que não faz sentido recusar observadores europeus ou norte-americanos e, em simultâneo, solicitar apoio financeiro, técnico ou logístico a essas mesmas regiões.

No mesmo acto, Adalberto Costa Júnior deixou um aviso político claro ao recordar o desfecho das eleições de 2022, que a UNITA continua a considerar fraudulentas. “Custou-me muito pedir aos jovens que aceitassem um resultado injusto, mas isso não voltará a acontecer em 2027”, afirmou.

A Fundação Carter, criada pelo antigo Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, já realizou 128 missões de observação eleitoral em 40 países desde 1989. Oficialmente, o MPLA venceu as eleições de 2022 com 51,17 por cento dos votos, contra 43,95 por cento da UNITA.