0º C

21 : 23

Activistas denunciam abandono do leste e falam em “miséria absoluta”

Activistas do leste de Angola lançaram um alerta contundente, denunciando o que classificam como “miséria absoluta” e “discriminação deliberada” numa das regiões mais ricas do país em recursos naturais. A posição foi tornada pública por organizações cívicas que acusam o Estado de manter o leste numa condição de abandono estrutural.

Registro autoral da fotografia

Há 2 horas
2 minutos de leitura

Num documento divulgado no Luena, província do Moxico, o Bloco de Resistência Leste e o Movimento Cívico de Combate às Assimetrias Regionais do Leste afirmam que a região continua a ser tratada como um simples “reservatório” de recursos e de votos, sem integração efectiva no projecto de desenvolvimento nacional.

As organizações sublinham o paradoxo de um território que concentra vastas riquezas diamantíferas, florestais e agrícolas, mas onde persistem graves carências sociais, como falta de água potável, infra-estruturas rodoviárias, energia eléctrica e serviços de saúde. Para os activistas, esta realidade resulta de uma discriminação histórica e sistemática, e não de factores naturais.

No plano político, os signatários exigem esclarecimentos sobre a chamada “ampla frente de salvação de Angola”, iniciativa associada à UNITA, manifestando abertura para integrar a plataforma, desde que haja compromissos claros e públicos com uma agenda concreta para o desenvolvimento do leste.

Entre as propostas apresentadas constam a criação de mecanismos rigorosos de fiscalização das obras públicas, a implementação de uma taxa regional sobre recursos como diamantes e madeira com afectação directa às províncias produtoras e o reforço urgente de investimentos em saúde, educação e infra-estruturas, numa tentativa de inverter um cenário que consideram insustentável.

C/Lusa