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Angola muda o jogo da dívida e China perde liderança entre os credores

A China deixou de ocupar, em 2025, o lugar de principal credor de Angola, numa viragem significativa do perfil da dívida pública, agora liderado pelo endividamento interno, segundo dados oficiais apresentados esta terça-feira pelo Executivo.

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Há 22 horas
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A revelação foi feita pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, Dorivaldo Teixeira, durante a apresentação da Estratégia de Endividamento para o período 2026–2028, na qual destacou a redução do peso dos credores externos e a consolidação gradual das finanças públicas.

De acordo com o responsável, os credores internos passaram a representar cerca de 28 por cento do ‘stock’ da dívida angolana em 2025, seguidos do Reino Unido, com 22 por cento, enquanto a China caiu para a terceira posição, com 19 por cento, depois de ter concentrado 34 por cento da dívida em 2020.

Dorivaldo Teixeira sublinhou ainda a diminuição expressiva da dívida colateralizada com a China, que recuou de 16,3 mil milhões de dólares em 2020 para cerca de 7,3 mil milhões de dólares em 2025, deixando de constituir um factor crítico de pressão na gestão da dívida do Estado.

No que respeita ao mercado internacional, o responsável apontou como desafio central a gestão das emissões de eurobonds, defendendo a necessidade de um calendário mais equilibrado para evitar a concentração de amortizações em anos consecutivos, como sucede em 2028 e 2029.

Segundo documentação oficial, a estratégia do Executivo tem privilegiado a redução da dívida associada ao petróleo, com a amortização total dos compromissos com credores brasileiros e israelitas, medida que reforça a resiliência da dívida pública face a choques externos e às flutuações do mercado petrolífero.