0º C

21 : 30

Angola passa a tratar doenças cerebrais complexas no país

Angola iniciou, em Luanda, tratamentos avançados e pouco invasivos na área da neurorradiologia que evitam evacuações para o exterior e representam uma poupança superior a 200 mil dólares por doente. O projecto-piloto decorre no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha (Pedale) e marca uma viragem estratégica na medicina especializada do país.

Registro autoral da fotografia

Há 22 horas
2 minutos de leitura

A intervenção é conduzida pelo neurorradiologista brasileiro Carlos Freitas, com equipas nacionais, prevendo 12 procedimentos em pacientes dos 10 aos 60 anos. Pela primeira vez, patologias vasculares cerebrais complexas passam a ser tratadas na rede pública, com técnicas endovasculares que reduzem riscos, encurtam internamentos e aceleram a recuperação.

Segundo o Ministério da Saúde de Angola, cada caso tratado no estrangeiro custava ao Estado mais de 200 mil dólares, somando evacuação sanitária, transporte, internamento e subsídios. Para os 12 pacientes agora atendidos no país, a poupança estimada ronda 2,4 milhões de dólares.

As equipas já actuaram em aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e fístulas arteriovenosas, recorrendo a abordagens minimamente invasivas de última geração. O avanço técnico consolida ganhos clínicos e financeiros, além de criar capacidade instalada para futuras intervenções.

A iniciativa integra o Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial, e aposta numa forte componente de capacitação, com internato estruturado, formação prática, telemedicina e actualização diagnóstica contínua.

Para a ministra Sílvia Lutucuta, o projecto representa um passo decisivo rumo à autonomia técnica do sistema de saúde, garantindo acesso local a tratamentos que salvam vidas e posicionando o hospital como futuro centro de referência nacional e regional em doenças cerebrovasculares.