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Angola vai vender energia para a RDCongo

Angola poderá tornar-se um dos principais fornecedores de energia da África Central com um ambicioso projecto eléctrico que prevê a construção de mais de 1400 quilómetros de linhas de transporte até à República Democrática do Congo (RDCongo). O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Luanda, pelo ministro congolês dos Recursos Hídricos, Molendo Sakombi, após um encontro com o Presidente João Lourenço.

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O plano prevê a criação de duas grandes linhas internacionais de electricidade. A primeira deverá ligar a província angolana de Malanje ao território congolês, passando por Dilolo, enquanto a segunda fará a conexão entre o Soyo e o Complexo Hidroeléctrico do Inga, uma das maiores apostas energéticas da RDCongo. Segundo Molendo Sakombi, o objectivo é adquirir mais de dois mil megawatts de energia produzida em Angola para responder à crescente procura do mercado congolês.

“O Inga ainda não está plenamente funcional e precisamos de garantir energia para as nossas populações e empresas”, afirmou o governante congolês, sublinhando que a iniciativa poderá transformar o panorama económico da região. O responsável destacou ainda que o projecto representa uma solução estratégica para um país com cerca de 100 milhões de habitantes e poderá movimentar investimentos avaliados em centenas de milhões de dólares.

A operação conta já com o aval do Presidente João Lourenço e deverá avançar para a fase técnica nas próximas semanas. De acordo com as autoridades congolesas, os estudos para a primeira linha serão acelerados com a meta de concluir a infra-estrutura no prazo de 18 meses. A aposta energética surge também como um novo capítulo na cooperação entre Luanda e Kinshasa, numa altura em que os dois países procuram reforçar influência económica e integração regional.

Além da audiência com o ministro dos Recursos Hídricos, João Lourenço recebeu igualmente Sumbu Sita Mambu, alto representante do Presidente congolês Félix Tshisekedi, que entregou uma mensagem oficial do chefe de Estado da RDCongo. O encontro reforçou os sinais de aproximação política e estratégica entre os dois países vizinhos.