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Capitais desviados no estrangeiro: Angola congela 80 milhões de euros no Chipre

A Procuradoria-Geral da República bloqueou, em 2025, cerca de 80 milhões de euros na República do Chipre, no âmbito da estratégia de recuperação de activos transferidos para o estrangeiro.

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O congelamento da verba, cuja existência não era anteriormente conhecida pelas autoridades nacionais, resultou da aplicação de um modelo de investigação conjunta adoptado pelo Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SENRA). O método articula investigação criminal e patrimonial, tanto em processos internos como em dossiês de dimensão internacional.

Na abertura do Ano Judicial 2026, realizada no Salão Protocolar Presidencial, o procurador-geral Hélder Pitta Grós explicou que a actuação contou com coordenação da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal e envolveu equipas multiorgânicas, com enfoque em resultados concretos na localização e apreensão de capitais.

Segundo o responsável, decorrem diligências para garantir o reconhecimento internacional de decisões judiciais angolanas, passo essencial para o repatriamento de activos. Entre os montantes identificados constam 213.436.118,09 dólares nas Bermudas, 42.850.005,94 euros e 556.861.150,60 dólares em Singapura, 1.114.165.175 dólares na Suíça, 18 milhões de dólares nos Emirados Árabes Unidos e 20.951.988,20 dólares em Portugal.

A ofensiva contra fluxos financeiros ilícitos ganha, assim, novo fôlego, numa corrida contra o tempo para trazer de volta ao país valores que já foram declarados perdidos a favor do Estado, mas que ainda aguardam efectivação no plano internacional.