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Corredor do Lobito pode falhar sem alinhamento entre Angola, RDCongo e Zâmbia, alerta Banco Mundial

O sucesso do Corredor do Lobito depende de uma coordenação transfronteiriça firme entre Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia, sob pena de uma das maiores apostas logísticas de África falhar o seu papel como motor de crescimento económico. O alerta foi lançado esta quinta-feira, em Luanda, pelo Banco Mundial.

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A posição foi defendida por Anna Bjerde, directora-geral de Operações da instituição, durante a primeira reunião de coordenação de alto nível dedicada ao Corredor do Lobito, onde classificou esta infra-estrutura como uma das iniciativas de desenvolvimento mais relevantes do continente africano, com impacto directo na integração regional, no comércio e na criação de emprego.

Segundo a responsável, o desbloqueio do potencial do corredor exige, em primeiro lugar, investimentos coordenados em transportes e logística. Apesar de a Zâmbia e a RDCongo fornecerem em conjunto mais de 17 por cento do cobre mundial e mais de 70 por cento do cobalto, minerais estratégicos para a transição energética global, o valor destes recursos continua condicionado por ineficiências logísticas severas.

Anna Bjerde sublinhou que o transporte de minérios pode demorar actualmente até 28 dias desde a mina até ao porto, defendendo uma redução drástica desse tempo para cerca de cinco dias, como condição essencial para tornar a rota competitiva à escala internacional.

A segunda grande oportunidade identificada passa pela diversificação económica, com a melhoria das infra-estruturas a abrir espaço para novas cadeias de valor nos sectores agrícola e agro-industrial em Angola, na Zâmbia e na RDCongo, alargando os benefícios do corredor para além da indústria extractiva.

Por fim, a dirigente do Banco Mundial foi categórica ao afirmar que as infra-estruturas, por si só, não garantem resultados, defendendo políticas harmonizadas, regimes de trânsito previsíveis e uma coordenação institucional eficaz, condição que considera determinante para reduzir custos comerciais e transformar o Corredor do Lobito numa verdadeira plataforma de integração africana.