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Galerias secretas no Museu de Lisbo revelam milhares de peças angolanas

O Museu Nacional de Etnologia abre esta quarta-feira as portas de uma das suas áreas mais reservadas e expõe ao público as Galerias de África, onde se encontram mais de 6.600 peças provenientes de Angola.

Registro autoral da fotografia

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A iniciativa permite acesso a um espaço intermédio entre reserva técnica e área visitável, até agora vedado ao público. Segundo o director, Gonçalo de Carvalho Amaro, o objectivo passa por mostrar como funciona o interior de um museu, desde a organização e conservação até aos bastidores onde os objectos permanecem guardados. O percurso inclui uma sala de trabalho com fotografias de grande formato e um corredor ladeado por vitrinas que acolhem peças oriundas de 31 países africanos, devidamente identificadas, mas fora das exposições permanentes.

Angola destaca-se com 6.678 artigos, liderando entre as origens representadas. Seguem-se Guiné-Bissau, Moçambique, Costa do Marfim, Cabo Verde e Mali, num conjunto que integra milhares de objectos africanos. O responsável defende que a abertura destas galerias assume particular relevância num contexto de debate internacional sobre a proveniência e o destino de bens culturais oriundos das antigas colónias.

As visitas realizam-se mediante marcação prévia, na primeira quarta-feira e no último domingo de cada mês, com limite máximo de dez participantes. A restrição justifica-se pelas exigências de conservação: ausência de luz directa, vitrinas densamente ocupadas e controlo rigoroso do ambiente, uma vez que os objectos são sensíveis a variações provocadas pela presença humana e pelo sistema de climatização.

O museu detém um acervo de cerca de 42 mil peças, representativas de 380 culturas e 80 países, distribuídos pelos cinco continentes, mas agora convida o público a espreitar o lado menos visível de um património que raramente sai da sombra.