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Governo admite que milhões de angolanos continuam sem acesso regular a comida

Quase 75 por cento da população de Angola enfrentou dificuldades para garantir comida em 2023, um retrato duro da realidade social revelado por dados oficiais que colocam a insegurança alimentar no centro do debate nacional.

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Há 23 horas
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As conclusões constam do relatório da Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES 2020-2023), divulgado em Luanda pelo Instituto Nacional de Estatística em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, que fixa em 74,6 por cento a prevalência de insegurança alimentar moderada ou severa no último ano analisado.

O documento mostra que a situação atingiu o ponto mais crítico em 2021, quando cerca de 82 por cento dos angolanos viveu algum grau de privação alimentar, cenário que começou a inverter-se nos dois anos seguintes, ainda que de forma insuficiente para afastar o risco estrutural de fome no país.

Entre as províncias, a Lunda Norte surge como o epicentro mais grave, com níveis persistentes de insegurança alimentar severa, chegando a 70,7 por cento em 2023, um quadro que, segundo o INE, traduz períodos prolongados sem comida e sérios riscos para a saúde e a dignidade humana. Em seguida aparecem Cuando Cubango, Lunda Sul e Zaire, enquanto Luanda regista valores mais baixos, ainda assim preocupantes.

A análise revela igualmente disparidades de género, com uma ligeira incidência superior de insegurança alimentar severa entre as mulheres, e variações ao longo dos anos no grupo em situação de segurança alimentar ou privação leve, indicador que expõe a instabilidade do acesso a alimentos básicos.

Para o INE, a integração da FIES nos inquéritos nacionais permite avaliar com maior precisão o impacto das políticas públicas e dos programas do Plano de Desenvolvimento Nacional, defendendo uma intervenção mais focalizada nas regiões mais afectadas para travar um problema que continua a marcar profundamente o quotidiano de milhões de angolanos.