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Industriais defendem combustível mais caro e impostos mais pesados para carros a gasolina

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) lançou um alerta contundente: os subsídios aos combustíveis continuam a pesar fortemente nas contas do Estado e só poderão ser reduzidos com aumentos graduais dos preços e uma tributação mais pesada sobre a importação de viaturas a gasolina.

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José Severino defendeu esta segunda-feira, em Luanda, que o país precisa de adoptar medidas capazes de travar aquilo que classificou como “subsídios loucos” à gasolina. Entre as soluções apontadas estão o agravamento das taxas de importação de veículos movidos a gasolina e o aumento do imposto de circulação rodoviária. Contudo, sublinhou que qualquer medida deve ser acompanhada por uma profunda melhoria da rede de transportes públicos.

O responsável considerou inevitável a correcção dos preços dos combustíveis e argumentou que os recursos actualmente consumidos pelos subsídios poderiam ser canalizados para sectores essenciais. “Sem termos o preço da gasolina corrigido não vamos ter saúde nem educação no nível que desejamos”, afirmou, defendendo um processo de ajustamento gradual, semelhante ao adoptado por outros países.

As declarações surgem poucos dias depois da subida do preço do gasóleo para 420 kwanzas por litro, contra os anteriores 400 kwanzas, enquanto a gasolina permaneceu fixada nos 300 kwanzas. Embora considere natural o reajuste do gasóleo, Severino entende que a medida, por si só, não resolve os desequilíbrios estruturais da economia e alerta para o impacto que poderá ter nos transportes e no custo de vida.

À margem do debate “África e o Mundo – Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”, o líder da AIA voltou a defender uma maior abertura do sector dos transportes ao investimento privado. Admitiu ainda que a recente actualização do preço do combustível poderá reflectir-se nos produtos da cesta básica, num contexto em que o Governo prossegue a retirada gradual dos subsídios energéticos, justificando a medida com a necessidade de libertar recursos para projectos sociais e de infra-estruturas.