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Pesqueiro português retido deixa tripulação angolana e indonésia sem salários em Cabo Verde

Doze trabalhadores angolanos e indonésios permanecem há quase três meses a bordo de um pesqueiro de bandeira portuguesa arrestado no porto do Mindelo, em Cabo Verde, à espera do pagamento de salários em atraso, numa situação que continua sem solução à vista.

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A embarcação, pertencente a um armador português, encontra-se retida por ordem judicial desde Dezembro, decisão que a tripulação tem vindo a cumprir enquanto aguarda um desfecho por parte do proprietário do navio, segundo confirmou o capitão dos Portos do Barlavento cabo-verdiano, Aguinaldo Lima.

De acordo com a autoridade marítima, estão asseguradas as condições básicas a bordo, incluindo alimentação, água e assistência médica sempre que necessário. Ainda assim, o problema central mantém-se: os trabalhadores continuam sem receber qualquer remuneração pelo trabalho prestado.

O responsável sublinhou que não houve, até ao momento, contactos das embaixadas de Angola e da Indonésia, nem pedidos formais de repatriamento, apesar do prolongado período de espera e da incerteza vivida pela tripulação.

Em declarações anteriores, a Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte (ITF) denunciou que os 12 pescadores do navio Novo Ruivo se encontravam há vários meses sem salário e abandonados pelo armador, classificando a situação como grave e socialmente insustentável.

A organização internacional defende que a única saída justa passa pelo pagamento imediato dos valores em dívida e pelo regresso seguro dos trabalhadores aos seus países de origem, apelando ainda à criação de mecanismos colectivos que reforcem a protecção de tripulações estrangeiras em embarcações de capitais europeus.