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Primeira época agrícola perdida devido à seca em pelo menos seis províncias

A seca comprometeu severamente a primeira época agrícola em pelo menos seis províncias do país, colocando milhares de camponeses numa situação de elevada vulnerabilidade alimentar e expondo a forte dependência da agricultura de sequeiro, alertou a ADRA – Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente.

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Segundo o director-geral da organização, Simione Chiculo, a estiagem afectou as províncias da Huíla, Cunene, Huambo, Malanje, Benguela e Namibe, regiões onde a ausência prolongada de chuvas inviabilizou quase por completo a produção agrícola, ao contrário de Luanda e Icolo e Bengo, onde predominam sistemas com alguma irrigação.

De acordo com o responsável, a primeira campanha agrícola, que no centro e sul do país decorre entre Outubro e o início de Janeiro, “ficou totalmente comprometida”, sobretudo nas culturas de cereais como o milho, massango e massambala, bem como nas leguminosas, com destaque para o feijão, que registou perdas significativas.

Perante o cenário, a ADRA defende uma intervenção mais estruturada das autoridades, apostando em sistemas de regadio que reduzam a dependência exclusiva das chuvas. Simione Chiculo alerta que as respostas baseadas apenas na distribuição de alimentos têm carácter paliativo e não garantem sustentabilidade nem resiliência às comunidades rurais.

O dirigente considera insuficientes as acções actualmente em curso, apontando o Canal do Cafu, no Cunene, como um exemplo positivo, embora incapaz de responder à dimensão das necessidades do sul do país. Em contrapartida, o Governo assegura que está a mapear as zonas mais afectadas e a preparar medidas para reforçar a produção na segunda época agrícola, com a reabilitação de valas de rega, represas e barragens.

Já a UNACA reconhece que a seca continua a ameaçar uma agricultura ainda centrada na subsistência, sublinhando que qualquer interrupção das chuvas afecta de forma imediata a produção. Apesar de alguma melhoria pontual em províncias como o Cubango e a Lunda Sul, o sector mantém-se vulnerável às irregularidades climáticas.