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Angola longe da auto-suficiência: Governo admite que produção de milho ainda é insuficiente

Apesar do aumento da produção nacional, Angola continua dependente da importação de milho. Na campanha agrícola 2024/2025, o país produziu 3,6 milhões de toneladas, mas precisou de importar mais 350 mil toneladas, operação que custou cerca de 123 milhões de dólares, revelou esta terça-feira o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

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A informação foi avançada após um encontro que reuniu membros do Executivo, industriais e produtores do cereal. Segundo Massano, o consumo de milho cresce de forma constante no país e a produção actual ainda está longe de garantir auto-suficiência. Para assegurar a segurança alimentar, defendeu que Angola terá de triplicar o volume de produção, de forma a criar reservas estratégicas e estabilizar o abastecimento.

O governante sublinhou que o cereal tem um peso decisivo na economia alimentar, uma vez que serve tanto para consumo humano como para alimentação animal. Nesse sentido, defendeu o aumento do número de produtores e o reforço da produção, tanto no sector empresarial como no familiar.

Massano reconheceu, contudo, a existência de falhas na articulação entre quem produz e quem transforma. Segundo explicou, produtores alegam dificuldade em escoar a produção, enquanto industriais afirmam não encontrar milho disponível no mercado. Esta descoordenação leva o Executivo, em determinados momentos, a autorizar importações para garantir o funcionamento da indústria.

Do lado da indústria moageira, o presidente das Indústrias Moageiras de Milho, António Aragão, afirmou que apenas 30 por cento da matéria-prima utilizada provém da produção nacional. O restante é importado, sobretudo devido às dificuldades logísticas, aos elevados custos de transporte interno e à escassez de divisas para financiar as compras externas.