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Governo admite baixa qualidade: Angola quer recuperar protagonismo mundial na exportação de café

Angola mantém viva a ambição de voltar a destacar-se no mercado internacional do café, apesar de reconhecer que a qualidade do produto ainda está longe do potencial do país. O alerta foi feito esta segunda-feira pelo director-geral do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA), que defendeu a necessidade de melhorar práticas de produção e colheita.

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Vasco Gonçalves afirmou que Angola já produz café em quantidades relevantes, mas sublinhou que o grande desafio reside na qualidade exigida pelos mercados externos. Entre os problemas identificados estão práticas consideradas prejudiciais, como a colheita prematura do grão ainda verde ou a secagem inadequada do produto.

Segundo o responsável, o café angolano situa-se actualmente no segundo nível de classificação de qualidade, num total de sete categorias, o que demonstra que ainda existe um longo caminho para alcançar padrões mais elevados. Para inverter o cenário, o INCA trabalha com produtores, comerciantes e exportadores no sentido de corrigir métodos tradicionais que comprometem a qualidade final.

Os dados mais recentes indicam que Angola produziu cerca de 10.500 toneladas de café comercial em 2024, mas apenas 3288 toneladas foram exportadas, sobretudo para Portugal, Polónia e Itália, gerando receitas na ordem dos 12 milhões de dólares. Apesar disso, o país continua muito distante da dimensão produtiva registada no passado, quando possuía cerca de 600 mil hectares de plantações, contra os actuais 55 mil hectares.

Mesmo assim, o director do INCA acredita que o país possui uma “margem de progressão muito grande”, sobretudo através da recuperação de antigas áreas cafeeiras. Em paralelo, o Governo reforça o enquadramento legal para cumprir exigências internacionais, incluindo o regulamento europeu que impede a entrada de produtos provenientes de áreas desflorestadas.