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RDCongo enfrenta escalada do Ébola e OMS acelera testes com dois medicamentos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou um ensaio clínico inédito na República Democrática do Congo (RDCongo) para testar dois tratamentos contra a estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, numa altura em que a epidemia continua a ganhar terreno e já provocou centenas de mortes no país vizinho de Angola.

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O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que o primeiro doente já foi integrado no estudo, denominado PARTNERS, que avaliará a eficácia do anticorpo monoclonal MBP134 e do antiviral remdesivir, administrados de forma isolada ou combinada. O ensaio é coordenado pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo, com o apoio da OMS e de vários parceiros internacionais. Segundo Tedros, todos os participantes beneficiarão de acompanhamento clínico permanente e de cuidados especializados.

Em paralelo, a OMS autorizou, em regime de emergência, a utilização do primeiro teste de diagnóstico molecular específico para a estirpe Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento aprovado. Desde a declaração oficial do surto, a 15 de Maio, as autoridades congolesas contabilizaram 1.406 casos e 438 mortes, o equivalente a uma taxa de letalidade superior a 31%. A organização alerta ainda para uma média de 38 novos casos confirmados por dia nas últimas duas semanas, sinal de que a propagação do vírus continua longe de estar controlada.

Apesar do reforço da resposta sanitária, com dez laboratórios de diagnóstico, cerca de 650 camas distribuídas por 22 centros de tratamento e outras 300 em fase de instalação, a OMS admite que o sistema enfrenta forte pressão. O rastreio de contactos melhorou, mas ainda deixa escapar um número significativo de potenciais infectados, enquanto quase todas as camas disponíveis já se encontram ocupadas.

A crise agravou-se após o ataque a um centro de tratamento de Ébola na província de Ituri, que causou a morte de duas pessoas e comprometeu as operações médicas. Face ao agravamento da situação, as Nações Unidas nomearam Julien Harneis como coordenador principal da resposta à epidemia, numa tentativa de reforçar a coordenação internacional e acelerar os esforços para conter um dos surtos mais preocupantes dos últimos anos.