0º C

•

15 : 01

Seis candidatos disputam liderança: FNLA chega ao congresso de Novembro dividida entre duas alas e duas comissões

O presidente da FNLA, Nimi a Simbi, anunciou esta quarta-feira que vai disputar a reeleição no VI Congresso Ordinário do partido, marcado para 25 a 27 de Novembro, apesar da contestação interna e de uma ala do Comité Central ter aprovado a sua destituição. O dirigente afirma que pretende concluir a reorganização da formação política, mas reconhece que ninguém deve permanecer eternamente no poder.

Registro autoral da fotografia

Há 58 minutos
2 minutos de leitura

«Ninguém fica eternamente numa posição, as pessoas entram, trabalham e depois deixam os cargos», declarou à Emissora Católica de Angola. Nimi a Simbi justificou a recandidatura com a necessidade de concluir o trabalho de organização do partido, que, segundo afirmou, já abrangeu o Comité Central, o Bureau Político, os comités provinciais e o congresso da juventude.

A liderança da FNLA enfrenta uma crise interna prolongada desde a morte do fundador, Álvaro Holden Roberto, em 2007. O partido encontra-se dividido entre a ala de Nimi a Simbi, eleito em 2021 e cujo mandato terminou a 30 de Setembro, e a facção associada a Ngola Kabangu, que dirigiu a organização entre 2007 e 2011. No último fim-de-semana, uma ala do Comité Central aprovou a destituição do actual presidente e a convocação de um congresso extraordinário, decisões que este desvalorizou.

Inicialmente previsto para 23 a 25 de Setembro, o VI Congresso foi adiado para 25 a 27 de Novembro, por dificuldades financeiras, segundo a direcção do partido. Nimi a Simbi garantiu que o encontro se realizará na nova data e afirmou que as assembleias para a eleição dos delegados decorrem em 20 províncias, onde diz contar com apoio suficiente para continuar à frente da formação política.

A disputa pela sucessão envolve seis candidatos: Carlito Roberto, filho do fundador da FNLA, Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala, Sofia Coelho Afonso e Nimi a Simbi. A crise reflecte-se também na existência de duas comissões preparatórias: em Março, o Comité Central escolheu Ndonda Nzinga, ligado à ala de Ngola Kabangu, que acusou Nimi a Simbi de «ditador, imperador e violador sistemático dos estatutos»; em Maio, o presidente contestado rejeitou as acusações, considerou nula essa comissão e indicou João Roberto Soki-Soki para coordenar a estrutura paralela.