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Tripulação angolana vive há meses encurralada num navio em Cabo Verde

Doze trabalhadores angolanos e indonésios permanecem retidos há cerca de seis meses num navio de pesca no porto do Mindelo, em Cabo Verde, sem receber salários há um ano, num caso que expõe uma situação limite no sector marítimo.

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A embarcação, pertencente a um armador português, encontra-se arrestada por decisão judicial, o que impede a tripulação de abandonar o navio. Segundo o capitão dos Portos do Barlavento, Aguinaldo Lima, a única saída apontada pelo proprietário passa pela venda do barco, processo que continua sem desfecho, apesar de existirem interessados.

O impasse agrava-se porque os trabalhadores recusam regressar aos seus países sem o pagamento dos salários em atraso, enquanto os documentos pessoais permanecem na posse do armador, bloqueando qualquer alternativa imediata. O embaixador de Angola em Cabo Verde, Agostinho Tavares, confirmou que o problema continua sem solução.

Apesar das dificuldades, os pescadores têm recebido apoio básico para subsistência, incluindo alimentação e combustível, mas continuam confinados ao navio, numa situação descrita por organizações internacionais como crítica e insustentável.

A Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte já classificou o caso como “horrível” e exige uma solução urgente, defendendo o pagamento integral dos salários e o regresso seguro dos tripulantes, ao mesmo tempo que alerta para a necessidade de reforçar a protecção de trabalhadores estrangeiros na indústria pesqueira.

C/Lusa