0º C

12 : 20

Nova vala comum identificada em Malanje com 41 corpos

A Comissão de Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) identificou uma vala comum com 41 vítimas no município de Quirima, província de Malanje, numa descoberta que volta a expor as marcas profundas deixadas pelos conflitos que assolaram Angola.

Registro autoral da fotografia

Há 2 horas
2 minutos de leitura

A revelação foi feita por Domingos Kiwata, membro da comissão provincial da CIVICOP, que explicou que as diligências realizadas no terreno permitiram localizar vários pontos associados aos confrontos políticos e militares. Segundo o responsável, as autoridades tradicionais da região desconhecem o paradeiro de dois jovens angolanos que trabalhavam para a UNAVEM e que terão sido mortos pela UNITA, depois de impedidos de abandonar a localidade. De acordo com os relatos recolhidos, outras vítimas terão sido lançadas ao rio, sem que os seus corpos fossem recuperados.

Os trabalhos da comissão estendem-se igualmente ao município de Caculama, onde o processo de localização das valas comuns continua a enfrentar dificuldades devido à escassez de referências geográficas e à complexidade na identificação das pessoas desaparecidas. Ainda assim, a CIVICOP considera a missão positiva, destacando a colaboração das autoridades tradicionais e das comunidades locais, cuja participação tem sido determinante para reconstruir episódios da história recente do país.

Durante a missão, foram também identificados outros locais que poderão albergar valas comuns relacionadas com diferentes períodos dos conflitos, incluindo ocorrências registadas em 1982 e 1992, envolvendo militares e civis. Entre os casos em investigação destaca-se ainda o desaparecimento de um antigo comissário municipal, ocorrido a 27 de Maio de 1977, cujas ossadas continuam por localizar.

Para acelerar a identificação dos restos mortais, familiares das vítimas manifestaram disponibilidade para fornecer amostras biológicas, que serão comparadas com os perfis genéticos existentes no Laboratório Central de Criminalística. A CIVICOP garante que continuará as operações de localização, identificação e dignificação das vítimas, numa tentativa de devolver identidade e memória às famílias afectadas por um dos capítulos mais dolorosos da história de Angola.