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Carrinho dispara na banca e no negócio de Estado: até onde vai o império que cresce em Angola?

Do agro-negócio para a banca, logística e grandes contratos públicos, o Grupo Carrinho protagoniza uma das mais rápidas expansões empresariais em Angola e prepara agora o salto que pode colocá-lo entre os maiores centros privados de poder económico do país: a aquisição dos 33,35% do BFA detidos pelo BPI, por 388,5 milhões de euros.

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Através da Congolian Financial, o grupo passa a reforçar uma presença que já se estende ao BCI e ao Banco Keve. Caso a operação seja concluída e somada à participação de 7,61% que já detém no BFA, a exposição do grupo ao banco poderá atingir cerca de 41%.

A velocidade da ascensão chama atenção. A entrada formal na banca aconteceu em Dezembro de 2021, quando o Carrinho adquiriu o BCI, então propriedade do Estado, por 16,5 mil milhões de kwanzas, num leilão realizado na BODIVA. Três anos depois, a Autoridade Reguladora da Concorrência apreciou a operação que permitiria ao grupo assumir 70% do Banco Keve. Agora, o BFA surge como a peça de maior dimensão desta ofensiva financeira.

Mas a expansão não se limita aos bancos. Reportagens publicadas nos últimos anos levantaram dúvidas sobre a forma como o grupo passou a estar associado a determinados activos e negócios, incluindo a fazenda agro-industrial de Camacupa e unidades têxteis de Benguela e do Cuanza-Norte. O Valor Económico também noticiou, em 2023, a abertura de uma auditoria à gestão da Reserva Estratégica Alimentar, após a decisão do Governo de retirar a Gescesta, empresa ligada ao universo Carrinho, da gestão da REA.

Outro capítulo envolve o abastecimento das Forças Armadas e dos órgãos de segurança. Segundo investigação do Maka Angola, o grupo manteve, desde 2023, um papel central no fornecimento alimentar às FAA e controlaria uma parcela significativa da logística do Ministério do Interior e do Comando-Geral da Polícia Nacional. A mesma investigação levantou questões sobre alegadas falhas no abastecimento e sobre a alteração do modelo de fornecimento em 2026. O Grupo Carrinho, porém, mantém uma posição contrária às acusações divulgadas e já publicou esclarecimentos nos quais rejeita imputações que considera sem suporte documental, incluindo alegações relacionadas com o abastecimento às FAA.

O que está em causa já não é apenas o crescimento de uma empresa familiar que se transformou num gigante agro-industrial. É a concentração progressiva de interesses num mesmo grupo em áreas estratégicas da economia angolana alimentação, indústria, logística e banca. A entrada no BFA eleva a dimensão do fenómeno e reacende o debate sobre concentração económica, concorrência, transparência dos negócios e influência sobre sectores considerados críticos. As operações bancárias passam pelos respectivos processos regulatórios, mas a pergunta política e económica permanece: até onde poderá chegar o império Carrinho num mercado em que, em poucos anos, deixou de ser apenas um actor do sector alimentar para se tornar um interveniente de peso no sistema financeiro nacional?