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“Elefantes Fantasmas”: o mistério que durou anos e acabou descoberto no Moxico

Durante quase cinco anos, foram apenas um rumor entre as comunidades locais. Agora, cerca de 20 elefantes considerados raros no leste de Angola chegam ao grande ecrã através do documentário “Elefantes Fantasmas”, resultado de uma investigação que confirmou a existência de uma população com características distintas na região dos Luchazes, província do Moxico.

Registro autoral da fotografia

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A investigação foi conduzida pelo ambientalista angolano e director-executivo da Fundação Lisima, Kerllen Costa, a partir de relatos de habitantes que asseguravam a existência de elefantes escondidos nas florestas desde o início da guerra civil. Com o apoio de caçadores locais, foram instaladas câmaras com sensores de movimento em zonas remotas. As primeiras imagens surgiram apenas anos depois, transformando aquilo que muitos consideravam um mito numa descoberta documentada.

Segundo o investigador, os animais apresentam características diferentes das populações comuns de elefantes de savana, nomeadamente maior porte e altura. A pesquisa genética realizada num laboratório da Califórnia identificou ainda um grau de parentesco entre esta população e o célebre elefante Fénykövi, capturado e morto na mesma região em 1962 e considerado o maior elefante alguma vez registado, cujo exemplar se encontra exposto no Museu de História Natural de Washington.

Mais do que revelar uma população rara de paquidermes, o documentário procura mostrar o papel das comunidades locais na preservação da biodiversidade. Kerllen Costa defende que as tradições e a relação dos povos luchazes com a natureza contribuíram para manter protegidas as florestas e a população de elefantes, numa ligação entre cultura, território e conservação que constitui um dos principais focos da produção.

Exibido esta terça-feira no Centro de Ciências de Luanda, o documentário conta com o apoio do Ministério do Ambiente, que o considera uma oportunidade de sensibilização para a conservação da biodiversidade angolana. O ambientalista apela, entretanto, à adopção de medidas específicas de protecção dos animais e da paisagem onde sobrevivem, para impedir que os “elefantes fantasmas” deixem de ser uma realidade documentada e voltem a desaparecer no silêncio das florestas.