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África e América do Sul reforçam pacto para manter paz no Atlântico

Os países africanos e sul-americanos decidiram reforçar a segurança no Atlântico Sul e assumiram um compromisso firme para manter a região livre de conflitos, num cenário internacional cada vez mais marcado por rivalidades entre grandes potências.

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A decisão saiu da IX reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), realizada no Rio de Janeiro, onde as 24 nações alertaram para o risco de interferências externas e defenderam um Atlântico Sul afastado de disputas geopolíticas. Na declaração final, os Estados reafirmam o objectivo de preservar a região como espaço livre de armas nucleares e de destruição massiva.

O documento, agora conhecido como Declaração do Rio de Janeiro, surge sob liderança do Brasil, que assume a presidência da organização para os próximos três anos, sucedendo a Cabo Verde. O texto insiste na necessidade de impedir qualquer tentativa de militarização incompatível com os princípios fundadores da Zopacas, num contexto global marcado pelo aumento de conflitos armados.

Apesar do consenso geral, a Argentina apresentou reservas a um dos pontos da declaração, relacionado com o legado da escravatura, colonialismo e racismo. O Governo de Javier Milei reafirmou o combate à discriminação, mas afastou-se de algumas referências a iniciativas internacionais, alegando divergências quanto à sua actual relevância.

Na abertura do encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira, deixou um aviso claro: há uma pressão crescente sobre o Atlântico Sul, num mundo abalado por guerras como as da Ucrânia e do Médio Oriente. O responsável defendeu que mares e oceanos devem unir e não dividir, reforçando a importância estratégica da Zopacas, que celebra 40 anos desde a sua criação em 1986.