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Igreja servia de abrigo ilegal: rede secreta de pastores levava congoleses para Luanda através do Soyo

Uma alegada rede de auxílio à imigração ilegal caiu nas mãos da Polícia no Zaire, após a detenção de cinco líderes religiosos suspeitos de facilitar a entrada clandestina de cidadãos da República Democrática do Congo (RDCongo) em território angolano, mediante pagamento de 60 mil kwanzas por pessoa.

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Segundo a Polícia Nacional, entre os detidos constam três cidadãos angolanos e dois supostos pastores congoleses ligados à igreja União de Espírito Santo de Angola. O grupo é acusado de montar um esquema organizado de recrutamento e transporte ilegal de estrangeiros através da fronteira do Soyo, usando a rota Matadi/Muanda para introduzir os imigrantes no país longe do controlo migratório.

As autoridades revelaram que, após a travessia clandestina, os cidadãos congoleses eram acolhidos numa igreja situada na localidade de Kinzau, município do Tomboco, onde permaneciam temporariamente disfarçados de funcionários de limpeza. Depois, seguiam viagem com destino à província de Luanda, num circuito que, segundo a Polícia, funcionava de forma articulada e discreta.

O porta-voz do comando provincial do Zaire da Polícia Nacional, Luís Bernardo, confirmou ao Novo Jornal que os suspeitos já foram presentes ao juiz de garantias para efeitos de responsabilização criminal. O caso volta a expor as fragilidades ao longo da extensa fronteira entre Angola e a RDCongo, considerada uma das principais portas de entrada para imigração ilegal no país.

Só em 2025, Angola expulsou pelo menos 36 mil imigrantes em situação ilegal, na sua maioria provenientes da RDCongo. As autoridades recordam que o crime de auxílio à imigração ilegal, associado a práticas organizadas, pode resultar em penas de prisão até oito anos.