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Bispo de Caxito liga morte de 28 garimpeiros à fome e ao desemprego em Angola

A morte de 28 garimpeiros numa mina ilegal de ouro, no município do Nambuangongo, província do Bengo, expôs novamente o drama social vivido por centenas de famílias angolanas. O bispo de Caxito, Maurício Camuto, afirmou esta Segunda-feira que a tragédia reflecte a fome, o desemprego e a pobreza que empurram muitos cidadãos para o garimpo clandestino.

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Visivelmente consternado, o líder religioso disse à Rádio Ecclesia que as vítimas procuravam apenas uma forma de sobreviver e sustentar as suas famílias. “Hoje há uma verdadeira corrida ao ouro. As pessoas procuram ouro em toda a parte porque não encontram outra alternativa para viver”, lamentou, apontando a precariedade social como principal combustível para o aumento da exploração ilegal de minerais no país.

Maurício Camuto criticou ainda a incapacidade das autoridades em travar o fenómeno, defendendo que muitos jovens e adultos arriscam a vida em minas clandestinas por falta de emprego, salários dignos e condições mínimas de subsistência. Segundo o bispo, a ausência de oportunidades leva milhares de cidadãos a ignorarem regras básicas de segurança nas zonas de exploração mineira.

O desabamento ocorreu no passado Sábado, na comuna de Canacassala, e vitimou jovens, adultos e até crianças, segundo relatos avançados pelo responsável católico. As autoridades já abriram um inquérito para apurar as circunstâncias da tragédia, numa altura em que o garimpo ilegal continua a multiplicar acidentes mortais em várias províncias angolanas.

Nos últimos anos, casos semelhantes foram registados no Huambo, Huíla, Bié e Lunda Norte, envolvendo minas clandestinas de ouro e diamantes. “Ontem morríamos por causa do poder. Hoje morremos por causa da fome”, concluiu o bispo, numa declaração que volta a lançar o debate sobre a crise social e económica no país.