0º C

20 : 59

Ébola volta a assustar África: OMS teme propagação fora de controlo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional devido ao novo surto de Ébola na África Central, numa decisão justificada pela “escala e velocidade” da propagação da doença, que já levanta fortes receios de uma crise sanitária de grandes proporções.

Registro autoral da fotografia

Há 7 horas
2 minutos de leitura

O anúncio foi feito pelo director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que revelou ter avançado com a medida após consultas urgentes com os ministros da Saúde da República Democrática do Congo e do Uganda. Segundo o responsável, a situação tornou-se alarmante devido ao aumento acelerado de casos e ao elevado risco de expansão da epidemia para novas regiões.

Até ao momento, a RDCongo confirmou 30 casos de Ébola na província de Ituri, no nordeste do país, enquanto o Uganda notificou dois casos na capital, Kampala, incluindo uma morte associada a pessoas vindas do território congolês. A OMS alerta ainda para mais de 500 casos suspeitos e cerca de 130 mortes, além de infecções entre profissionais de saúde, sinal considerado particularmente preocupante pelas autoridades sanitárias internacionais.

Outro factor que está a agravar o cenário é o surgimento da doença em zonas urbanas como Goma, Bunia e Kampala, cidades densamente povoadas e marcadas por elevada mobilidade populacional. A situação torna-se ainda mais delicada devido aos conflitos armados no leste da RDCongo, onde grupos rebeldes, entre eles o M23, dificultam o acesso humanitário e complicam as operações de contenção da epidemia.

A OMS mobilizou equipas, equipamentos e fundos de emergência para apoiar a resposta no terreno, tendo libertado quase quatro milhões de dólares para reforçar o combate ao vírus Bundibugyo, uma variante do Ébola para a qual ainda não existem vacinas nem tratamentos específicos. Face ao agravamento da crise, o Nobel da Paz Denis Mukwege apelou à reabertura do aeroporto de Goma para facilitar a chegada de ajuda humanitária e acelerar a resposta internacional.