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Boa Vida Neto: Acordos de Alvor são importantes, mas não agora–Sobre a medalha dos 50 anos

O Parlamento angolano viveu nesta quarta-feira, 12 de fevereiro, um debate acalorado sobre a atribuição da medalha dos 50 anos da Independência, que se assinala a 11 de novembro deste ano. A oposição defendeu que a homenagem deve incluir, além de Agostinho Neto, os líderes dos antigos movimentos de libertação FNLA e UNITA, Holden Roberto e Jonas Savimbi, cujos papéis históricos continuam a ser alvo de disputas narrativas.

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O deputado do MPLA, Álvaro Boa Vida Neto, reconheceu a importância dos Acordos de Alvor, mas rejeitou a ideia de que o atual momento político seja apropriado para dar-lhes a devida sublimidade. Segundo ele, os parlamentares deveriam trabalhar numa proposta concreta sobre como tratar os acordos, evitando decisões precipitadas que possam gerar novos impasses.

“Não devemos procurar quem tem razão no contexto histórico complexo que vivemos. A valorização dos Acordos de Alvor deve acontecer no momento certo, sem precipitações que possam distorcer sua real importância”, afirmou Boa Vida Neto.

Por outro lado, Jorge Victorino, deputado da UNITA, contestou a posição do MPLA e acusou o partido no poder de evitar deliberadamente o reconhecimento dos Acordos de Alvor, assinados em 1975 entre o governo português e os três movimentos de libertação. Segundo Victorino, os acordos previam eleições que nunca ocorreram, fator que comprometeu a transição democrática e culminou em décadas de guerra civil.

A tensão aumentou quando o deputado do MPLA, Nvunda Salumbo, rejeitou a ideia de equiparar os líderes dos três movimentos. “Um chefe de Estado não pode ser comparado a qualquer outra entidade. Em vários países, há precedência na atribuição de medalhas, e esse é o ponto de divergência aqui”, argumentou.

Já Faustino Mumbica, da UNITA, alertou que excluir os signatários dos Acordos de Alvor do reconhecimento oficial pode fragilizar ainda mais o processo de reconciliação nacional. “Temos 50 anos de independência e 23 anos de paz, mas persistem falhas na reconciliação. O Presidente da República deveria evitar exacerbar os ânimos ao ignorar figuras que foram protagonistas da luta pela independência”, criticou.

O debate continua a dividir opiniões e promete novas disputas à medida que se aproxima a celebração dos 50 anos da Independência. A decisão final sobre a medalha poderá definir o rumo da memória histórica do país e a forma como Angola encara o seu passado e o processo de reconciliação nacional.

PONTUAL, fonte credível de informação.