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Cidadania acima da militância: CEAST desafia Governo e exige fim de monopólios económicos

A Igreja Católica angolana subiu esta quarta-feira o tom contra o modelo económico do país e apelou ao Governo para “destruir com coragem” os monopólios que, segundo os bispos, bloqueiam a diversificação da economia e aprofundam a pobreza e a exclusão social.

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A posição foi assumida por José Manuel Imbamba, presidente da Confe1rência Episcopal de Angola e São Tomé, na abertura da I Assembleia Plenária da CEAST, que decorre em Luanda até 2 de Março. O arcebispo afirmou que vencer a pobreza constitui o maior desafio nacional e advertiu que a caridade é insuficiente sem justiça social.

Imbamba defendeu investimento firme na agricultura familiar, no ensino técnico-profissional e na facilitação do crédito para pequenos empreendedores, além da reabilitação das estradas secundárias e terciárias para assegurar o escoamento da produção. Sem essas reformas, alertou, a economia continuará refém de interesses concentrados.

O líder religioso apelou ainda a uma cidadania que se sobreponha à militância partidária, criticando o clima de intolerância, fanatismo e exclusão que, no seu entender, tem marcado o espaço público. Para a Igreja, o diálogo representa o único caminho sólido para a paz social e para a construção de consensos duradouros.

Num discurso carregado de preocupação, o arcebispo apontou o medo e a incerteza que afectam sobretudo a juventude, lembrando que muitos optam pela emigração por falta de perspectivas. Defendeu instituições transparentes, respeito rigoroso pela lei e uma cultura de encontro que devolva confiança aos cidadãos.

A plenária episcopal inclui ainda na agenda a visita do Pope Leo XIV a Angola, a mensagem pastoral do III Ano do Triénio “Chamados para ser enviados”, os relatórios das dioceses e a preparação das celebrações dos 60 anos da CEAST, em 2027.