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Tribunal de Luanda entra no momento-chave no julgamento de russos e angolanos

O julgamento dos dois cidadãos russos e dois angolanos acusados de espionagem e terrorismo em Angola avança esta terça-feira para uma fase crítica, com a defesa a apresentar provas no Tribunal da Comarca de Luanda.

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De acordo com o advogado Bruno Xingui, que representa o jornalista angolano Amor Carlos Tomé, a sessão deverá centrar-se ainda em questões preliminares levantadas pelos advogados, não sendo expectável uma mudança imediata de fase, devido à complexidade do processo e à necessidade de tradução para os arguidos de nacionalidade russa.

Os quatro acusados Amor Carlos Tomé, Oliveira Francisco, Igor Rotchin Mihailovich e Lev Matveevich Lakshtanov enfrentam um vasto leque de crimes, entre os quais espionagem, terrorismo, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, corrupção activa e introdução ilícita de moeda estrangeira.

A defesa insiste na inocência do jornalista angolano, sublinhando que a estratégia passa por reunir elementos que reforcem essa posição em tribunal. “Estamos preparados e confiantes de que a verdade prevalecerá”, afirmou o advogado, garantindo que todas as ferramentas jurídicas serão utilizadas.

Os arguidos foram detidos em Agosto de 2025, na sequência de uma onda de protestos de taxistas que degenerou em violência e provocou pelo menos 30 mortos, 277 feridos e mais de 1.500 detenções. O Ministério Público sustenta que os cidadãos russos integram uma rede internacional dedicada à desestabilização de Estados africanos, através do financiamento e mobilização de cidadãos locais.