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Economia angolana cresce, mas riscos continuam a ameaçar estabilidade

O Banco Africano de Desenvolvimento prevê que a economia angolana cresça apenas 2,9 por cento este ano, num cenário marcado pela dependência do petróleo, pressão inflacionista e riscos externos que continuam a ameaçar a estabilidade financeira do país.

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As projecções, apresentadas esta Terça-feira em Brazzaville durante as reuniões anuais do BAD, indicam ainda um crescimento de 3,3 por cento em 2027. Apesar da previsão positiva, o banco alerta que o ritmo continua abaixo do necessário para acompanhar o crescimento populacional, o que poderá voltar a provocar queda no Produto Interno Bruto per capita dos angolanos.

Segundo o relatório “Perspectivas Económicas de África 2026”, o desempenho da economia nacional deverá ser sustentado pelo aumento dos preços do petróleo, pelos investimentos ligados ao agronegócio e ao Corredor do Lobito, além de cerca de dois mil milhões de dólares destinados à mineração não diamantífera e exploração de terras raras. Ainda assim, o BAD avisa que a forte dependência do crude mantém Angola vulnerável a choques internacionais e à volatilidade dos mercados.

A instituição financeira admite também um novo aperto da política monetária para travar a inflação, agravada pela subida global dos preços do petróleo. Entre os principais riscos apontados estão ainda as tensões geopolíticas, as condições financeiras internacionais mais duras e os impactos das alterações climáticas. Para reduzir a exposição económica, o BAD defende maior aposta na diversificação, transparência fiscal e mobilização de investimento privado.

O encontro anual do grupo decorre sob fortes medidas sanitárias devido ao surto de ébola na região da África Central. A cidade de Brazzaville acolhe mais de três mil participantes entre chefes de Estado, ministros e governadores de bancos centrais, numa cimeira dominada pelas preocupações com o financiamento do desenvolvimento africano num cenário global cada vez mais instável.