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Eleições no Congo com vencedor quase certo: Sassou Nguesso tenta novo mandato

Os eleitores da República do Congo votam este domingo para escolher o Presidente da República, mas o resultado surge praticamente traçado: o actual chefe de Estado, Denis Sassou Nguesso, de 82 anos, entra na corrida como claro favorito e tenta garantir mais um mandato à frente do país.

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No poder há décadas, Sassou Nguesso, líder do Partido Congolês do Trabalho (PCT), procura consolidar o quinto mandato desde o regresso ao cargo após a guerra civil que devastou o país entre 1993 e 1999. A longevidade política do governante, que assumiu a presidência pela primeira vez em 1979 num sistema de partido único, reforça a percepção de que a eleição poderá confirmar mais um capítulo do seu longo domínio sobre a política congolesa.

Na corrida presidencial figuram seis adversários, entre eles Joseph Kignoumbi Kia Mboungou, Anguios Nganguia Engambé, Uphrem Dave Mafoula, Melaine Destin Gavet Elengo, Vivien Romain Manangou e Mabio Mavoungou Zinga. Ainda assim, analistas políticos consideram que a oposição permanece fragilizada, sobretudo após a condenação a 20 anos de prisão de dois importantes opositores o general Jean-Marie Michel Mokoko e André Okombi Salissa que contestaram os resultados das eleições de 2016.

Entre os jovens congoleses cresce o desencanto com o processo eleitoral. Muitos afirmam que a votação pouco altera o cenário político e recordam episódios de eleições anteriores marcadas por denúncias de falhas nos cadernos eleitorais e cortes no acesso à Internet. Especialistas consideram que o sistema eleitoral tende a confirmar a vitória do poder instalado logo na primeira volta.

Com cerca de seis milhões de habitantes e mais de metade da população abaixo do limiar da pobreza, a República do Congo enfrenta desafios sociais profundos, apesar de ser um dos maiores exportadores de petróleo de África. Enquanto Sassou Nguesso promete acelerar o desenvolvimento e investir em infra-estruturas e agricultura, cresce também a especulação sobre a sucessão presidencial, com observadores a apontarem para Denis-Christel Sassou Nguesso, filho do chefe de Estado e actual ministro da Cooperação Internacional.