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Em Marrocos: Presidente diz que Angola investiu 4,2 mil milhões de dólares no combate à seca no Sul do país

O Presidente angolano, João Lourenço, defendeu, em Itália, que o combate à fome exige uma resposta internacional coordenada, com investimentos, transferência de tecnologia e reforço das capacidades agrícolas dos países menos desenvolvidos. Ao intervir no Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), considerou que o encontro constitui uma oportunidade para definir uma estratégia global de segurança alimentar que integre factores políticos, financeiros, técnicos e científicos.

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João Lourenço alertou para o contraste entre a abundância de alimentos nos países desenvolvidos e a falta de acesso à alimentação que afecta milhões de pessoas em várias regiões do mundo. Na sua perspectiva, os conflitos armados, as perturbações nas cadeias de abastecimento e as alterações climáticas agravam a fome e a malnutrição, através de fenómenos como secas severas, cheias, inundações, desertificação e proliferação de pragas. O chefe de Estado apelou, por isso, a uma cooperação internacional assente no diálogo e em interesses partilhados, com medidas que incluam formação técnica, transferência de tecnologia e mobilização de recursos para a agricultura. Defendeu ainda que a inovação deve ultrapassar a dimensão tecnológica e integrar outras soluções adaptadas às realidades de cada país.

O Presidente angolano apontou África como um continente com condições para se afirmar como um dos grandes centros mundiais de produção alimentar, graças às terras aráveis, aos recursos hídricos e às condições climáticas favoráveis. Reconheceu, contudo, que a fome e a desnutrição persistem devido, entre outros factores, aos conflitos, às alterações climáticas e à insuficiente capacitação dos produtores, sobretudo no sector da agricultura familiar. Para inverter este cenário, defendeu políticas realistas, investimento privado, acesso à tecnologia e transmissão de conhecimentos aos jovens, com vista ao aumento da produtividade por hectare, à melhoria da qualidade dos produtos, ao crescimento da produção e das exportações agrícolas e pecuárias e ao reforço do contributo do sector para o Produto Interno Bruto dos países africanos.

No caso de Angola, João Lourenço destacou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), orçado em 4,2 mil milhões de dólares e já parcialmente executado. O projecto abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe e prevê a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene, além de centenas de quilómetros de canais a céu aberto destinados ao abastecimento das populações e ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária durante todo o ano. O Presidente reconheceu igualmente o contributo da FAO para o desenvolvimento agropecuário nacional, destacando os resultados da cooperação na aproximação entre zonas de produção, centros de transformação alimentar e mercados. Salientou ainda as iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, bem como o potencial do Corredor do Lobito para estimular novas indústrias, criar cadeias regionais de valor e facilitar o acesso aos mercados. Segundo João Lourenço, esta dinâmica poderá reforçar a integração económica africana, em articulação com a Zona de Livre Comércio Continental Africana, um mercado de aproximadamente 1,5 mil milhões de consumidores. O chefe de Estado manifestou, por fim, a expectativa de que o fórum produza medidas concretas para melhorar a produção alimentar e promover a prosperidade partilhada à escala mundial.

À margem dos trabalhos do Fórum Mundial da Alimentação, João Lourenço recebeu, esta segunda-feira, em Roma, uma delegação da empresa italiana Fincantieri S.p.A., liderada pelo director-geral e presidente, Eugenio Santagata. De acordo com uma nota do CIPRA consultada pelo VerAngola, a empresa é descrita como um importante grupo industrial italiano, reconhecido pela produção de meios tecnológicos de elevado desempenho.