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“Os votos não são automáticos”: dirigente do MPLA aponta desafios para as eleições de 2027

O dirigente do MPLA Carlos Maria Feijó defendeu, em Ondjiva, província do Cunene, uma profunda reorganização interna do partido, o combate à corrupção e o reforço da ligação às comunidades como prioridades para as Eleições Gerais de 2027. No encerramento da XI Conferência Ordinária Provincial, o coordenador do Grupo de Acompanhamento do Secretariado do Bureau Político advertiu que o passado histórico da formação política não garante, por si só, a vitória nas urnas.

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Perante 737 delegados de vários municípios, Feijó sustentou que a confiança dos eleitores deve ser conquistada através de resultados concretos e propostas credíveis. «Em democracia, a legitimidade de um partido não se herda. Conquista-se e renova-se, eleição após eleição. A História dá-nos autoridade moral, mas não nos dá votos automáticos», afirmou. O dirigente considerou ainda que a capacidade de convencer a sociedade depende, em primeiro lugar, da organização interna do partido.

O IX Congresso Ordinário do MPLA, previsto para Dezembro, foi apontado como uma oportunidade para avaliar o último mandato, renovar as estruturas e preparar os próximos desafios eleitorais. Feijó defendeu que o processo decorra com participação, disciplina e respeito pelos Estatutos. Ressalvou, contudo, que a unidade partidária não deve impedir o debate interno: as ideias devem ser discutidas com lealdade, as decisões tomadas democraticamente e a acção colectiva mantida após a deliberação.

O combate à corrupção, ao nepotismo, à bajulação e à impunidade esteve igualmente entre os pontos centrais da intervenção. Carlos Maria Feijó criticou a utilização do partido para obter vantagens pessoais, cargos ou privilégios e apelou a uma conduta ética dos responsáveis políticos e da função pública. Na sua perspectiva, estas práticas prejudicam a imagem do MPLA e enfraquecem a confiança dos cidadãos nas instituições, pelo que o cumprimento da disciplina deve começar pelos dirigentes.

Com vista às eleições de 2027, o partido pretende reforçar a presença permanente nos municípios e comunas do Cunene, com maior atenção aos problemas das famílias, jovens, camponeses, criadores de gado, comerciantes, professores e enfermeiros, entre outros grupos profissionais. A estratégia inclui ainda a adaptação da estrutura partidária à nova Divisão Político-Administrativa, a conclusão do registo de militantes, a emissão de cartões, a actualização de dados e a revitalização dos Comités de Acção do Partido. A conferência terminou com a eleição dos órgãos locais, dos delegados ao IX Congresso e dos candidatos ao Comité Central, mantendo Gerdina Didalelwa no cargo de Primeira Secretária Provincial do MPLA no Cunene.