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Higino Carneiro propõe revolução interna no MPLA

O candidato à presidência do MPLA, Higino Carneiro, lançou um forte apelo à renovação interna do partido, defendendo eleições internas competitivas, limitação de mandatos e maior abertura democrática, ao mesmo tempo que reconheceu o crescente afastamento dos angolanos da formação política. No manifesto eleitoral, o general admite que o partido “precisa de voltar a merecer a confiança do povo”, numa das mais contundentes autocríticas surgidas no seio do MPLA nos últimos anos.

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Na corrida à liderança do partido, que disputará com o actual presidente do MPLA e Chefe de Estado, João Lourenço, durante o IX Congresso Ordinário, marcado para 9 e 10 de Dezembro, Higino Carneiro sustenta que o partido não pode entrar nas eleições gerais de 2027 apoiado apenas no peso da sua história. O candidato recorda a derrota eleitoral sofrida em Luanda nas eleições de 2022, classificando esse resultado como “um sério alerta político” e defendendo que chegou o momento de ouvir mais os cidadãos, corrigir erros e recuperar a credibilidade perdida.

O manifesto propõe profundas alterações no funcionamento interno da organização, incluindo a realização de eleições com mais de um candidato, protecção dos militantes com opiniões divergentes, descentralização das decisões, limitação da permanência nos cargos dirigentes, reforço da meritocracia e maior autonomia dos órgãos disciplinares. Para Higino Carneiro, os novos desafios exigem um MPLA “mais democrático, ético e próximo da sociedade”, onde o poder seja exercido como instrumento de serviço público e não de benefício pessoal.

No plano político e económico, o candidato defende o diálogo com todas as forças partidárias, o respeito pela oposição democrática e a construção de consensos nacionais. Entre as propostas constam ainda a redução da dependência do petróleo, a criação de emprego para a juventude, a renegociação da dívida pública, a implementação de um programa “Fome Zero”, a atribuição da propriedade plena da terra aos cidadãos, a revogação das restrições à importação de viaturas usadas e a liberalização gradual da aviação civil.

A apresentação do manifesto acontece dias depois de Higino Carneiro ter formalizado a sua candidatura à liderança do MPLA com mais de 19 mil assinaturas. O antigo governador de Luanda e ex-ministro foi igualmente constituído arguido num processo em que responde por alegados crimes de peculato e branqueamento de capitais, um dado que volta a colocar o seu nome no centro do debate político nacional.