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João Lourenço aponta factores externos que travaram as metas do seu Governo

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, atribuiu a factores externos e à pandemia de covid-19 parte das dificuldades que condicionaram a execução dos planos do seu Governo, ao longo dos dois mandatos. Na sua última Mensagem sobre o Estado da Nação, apresentada esta quinta-feira na Assembleia Nacional, o chefe de Estado reconheceu que o país ainda tem importantes desafios por superar, com destaque para a educação, a protecção das crianças e a criação de emprego para os angolanos.

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Durante quase quatro horas de discurso, João Lourenço fez um balanço da governação e apontou resultados em vários sectores, sem deixar de reconhecer os constrangimentos que afectaram as metas estabelecidas. Entre os principais obstáculos, destacou os conflitos internacionais, as perturbações nas cadeias logísticas, a subida dos preços dos alimentos, combustíveis e fertilizantes, as alterações das condições financeiras globais, as oscilações do mercado petrolífero e a pandemia. O Presidente recordou que o Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022 e o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 orientaram a política governativa. Defendeu que Angola conseguiu ultrapassar parte dessas dificuldades e se mantém em paz, reconciliada e empenhada no desenvolvimento e na atracção de investimento. João Lourenço, que tomou posse pela primeira vez a 26 de Setembro de 2022, não poderá voltar a candidatar-se em 2027, por ter atingido o limite constitucional de dois mandatos.

Na economia, o chefe de Estado destacou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% em 2025 e de 5,3% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo sector não petrolífero. A inflação caiu de 27,5% em 2024 para 10,8% em Junho de 2026, enquanto a dívida pública recuou de 115,9% do PIB, em 2020, para 51,2% em 2026. O investimento estrangeiro no sector não petrolífero aumentou 54%, e as exportações não petrolíferas cresceram 66% entre 2022 e 2025, num contexto de expansão da agricultura, pecuária, florestas e pescas, actividades que empregam cerca de 6,4 milhões de angolanos. No turismo, o crescimento foi de 28% em 2025, face a 2022, com mais de 223 mil visitantes internacionais. O Presidente salientou ainda a importância das infra-estruturas, incluindo estradas construídas ou reabilitadas, novos aeroportos previstos, portos marítimos e ligações ferroviárias, com particular destaque para o Corredor do Lobito, alvo de interesse e investimento internacionais. Referiu também os projectos para combater a seca no sul do país, com novas barragens em funcionamento.

Na saúde, foram criadas 734 unidades de atendimento, elevando o total para 3.348 no primeiro trimestre de 2026, e o sector recebeu mais de 28 mil profissionais. A mortalidade materna baixou de 239 para 170 por cada 100 mil nados-vivos, enquanto a mortalidade de crianças com menos de cinco anos passou de 68 para 52 por mil nados-vivos. A cobertura vacinal atingiu 78% e a mortalidade por malária, principal causa de morte no país, diminuiu de 28 para 20 por cada 100 mil habitantes entre 2023 e 2025. Na educação, Angola conta com mais de nove milhões de alunos, mais de 252 mil professores e quase 142 mil salas de aula, num ano lectivo marcado pelo anúncio de uma greve geral dos docentes. O ensino técnico-profissional cresceu 18,5% desde 2021, abrangendo quase 211 mil formandos, enquanto o ensino superior reúne 352 mil estudantes em 106 instituições, na sua maioria privadas. Na habitação, João Lourenço destacou 18 centralidades, com mais de 40 mil fogos ocupados por 2,4 milhões de angolanos, além de 370 mil lotes disponíveis para autoconstrução. Apesar do reforço da capacidade eléctrica instalada, de 4.659 megawatts em 2017 para 6.322 megawatts, metade da população continua sem acesso à electricidade; o abastecimento de água cobre 62% dos habitantes.

O balanço presidencial incluiu ainda os sectores da cultura, do desporto, do ambiente, da justiça, da defesa e da segurança, bem como o combate à corrupção e aos crimes económicos e a política nacional e internacional. João Lourenço destacou as conquistas das selecções femininas angolanas de basquetebol e andebol e a inscrição do Sona, desenhos tradicionais na areia, na Lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Perante uma população em que mais de dois terços têm menos de 30 anos, o Presidente anunciou a realização de uma Conferência Nacional da Juventude Angolana, destinada a promover a reflexão sobre o papel dos jovens no desenvolvimento nacional, embora sem indicar uma data. A protecção e educação das crianças, a formação académica e profissional dos jovens e o aumento da oferta de emprego foram apontados como prioridades para o país.