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Jornalista processado após expor insegurança no Cazenga

O jornalista e CEO do site O Flagrante, Domingos Figueiredo, foi chamado a depor esta sexta-feira, 7 de março, na Direcção do Combate ao Crime Organizado, na sede do Serviço de Investigação Criminal (SIC-Geral), em Luanda. A intimação surge na sequência de uma queixa-crime apresentada pelo Delegado do Ministério do Interior e Comandante Municipal da Polícia Nacional no Cazenga, Superintendente-Chefe Adão Correia Sebastião “Didi”.

Registro autoral da fotografia

Há 4 semanas
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O motivo? Um artigo publicado a 31 de dezembro de 2024, intitulado “Segurança Pública: Comandante ‘Didi’ invisível no município do Cazenga”, onde o jornalista expõe o cenário de insegurança vivido pela população. No texto, o jornalista dá voz a moradores que se queixam da ausência de patrulhamento e da falta de proximidade entre a polícia e os cidadãos.

Polícia quer silenciar denúncias sobre a insegurança?

A reportagem também destaca o consumo de ´liamba´ a céu aberto, uma prática comum no município e conhecida por todos, incluindo as autoridades. Para o jornalista, a queixa-crime não passa de uma tentativa de intimidação para calar denúncias legítimas sobre a realidade do Cazenga.

“O nosso artigo retrata factos incontestáveis. A insegurança é sentida pelos moradores e a falta de patrulhamento é um problema real. A polícia sabe disso e, ao invés de resolver a situação, optou por perseguir quem denuncia”, afirma Figueiredo.

A acção do comandante levanta sérias questões sobre a liberdade de imprensa e o direito constitucional de informar. O jornalista lembra que a Constituição da República de Angola, no artigo 44.º, garante a Liberdade de Imprensa, tornando inaceitável qualquer tentativa de coação contra profissionais da comunicação social.

Repressão contra a imprensa?

A decisão do comandante “Didi” de processar um jornalista por relatar problemas públicos gera debate. Estará a polícia a tentar esconder a falta de segurança ou trata-se de um comandante pressionado pela realidade que não consegue controlar?

Enquanto isso, os moradores do Cazenga continuam à espera de soluções. Mais patrulhamento e menos perseguição.

Leia na íntegra ( a baixo ) o texto que motivou a intimação.

PONTUAL, fonte credível de informação.