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Pânico instala-se nas ruas de Luanda após rumores sobre “desaparecimento” de órgãos genitais

Relatos sobre supostos desaparecimentos e encolhimentos de órgãos genitais estão a instalar um clima de pânico em várias comunidades angolanas, com moradores a evitarem contacto físico com desconhecidos por receio de alegadas práticas ocultas.

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Os primeiros casos surgiram nas províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, mas, nos últimos dias, histórias semelhantes começaram a circular em zonas populosas do Kikolo e de Cacuaco, em Luanda. Vídeos partilhados nas redes sociais mostram jovens em estado de desespero, alegando alterações repentinas após apertos de mão ou simples aproximações, cenário que tem alimentado especulações e tensão social.

O caso ganhou dimensão nacional nas plataformas digitais, onde se multiplicam debates sobre feitiçaria, espiritualidade e insegurança colectiva. Em vários bairros, populares passaram a evitar aproximações suspeitas e reforçaram práticas religiosas como forma de protecção perante aquilo que muitos consideram um fenómeno sobrenatural.

Apesar da onda de medo, o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal, Manuel Halaiwa, desmentiu a existência de provas concretas sobre os alegados desaparecimentos. O responsável apelou à calma e pediu à população que evite divulgar informações não confirmadas, sublinhando que as autoridades continuam a acompanhar a situação.

Especialistas em psicologia apontam para um possível quadro conhecido como “síndrome de koro”, transtorno associado ao medo irracional de encolhimento dos órgãos genitais após contacto com terceiros. Ainda assim, o receio colectivo continua a crescer, transformando ruas, mercados e transportes públicos em espaços marcados por desconfiança e inquietação.