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Pobreza e desigualdades estão a alimentar conflitos em África, alerta líder da União Africana

O presidente da União Africana (UA), Évariste Ndayishimiye, alertou para o risco de a pobreza, as desigualdades e a exclusão política continuarem a empurrar populações africanas para os conflitos armados, defendendo uma resposta mais eficaz para evitar que as crises saiam de controlo.

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O também Presidente do Burundi falava na abertura da Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da UA, realizada em Luanda, dedicada à prevenção e resolução de conflitos no continente. Ndayishimiye reconheceu que a organização dispõe de vários mecanismos de prevenção, mas admitiu falhas na capacidade de antecipar e responder às crises antes de estas atingirem níveis críticos.

Para o líder africano, os conflitos não nascem apenas da violência armada. Défices de governação, exclusão política, desigualdades e injustiças sociais criam condições para o agravamento das tensões. “A pobreza é um factor favorável aos conflitos. A inadequada repartição dos recursos produz precariedade e desespero”, afirmou, ao defender um programa continental mais abrangente de combate à pobreza.

Ndayishimiye apontou ainda o conflito no Sudão como exemplo de uma crise que, apesar dos primeiros sinais de alerta, acabou por atingir uma dimensão difícil de controlar, com pesadas perdas humanas e materiais. O presidente da UA defendeu, por isso, maior articulação entre o Conselho de Paz e Segurança, o Sistema Continental de Alerta Precoce, o Comité de Inteligência e Segurança, a Força Africana em Estado de Alerta e os demais instrumentos de diplomacia preventiva.

Na mesma cimeira, o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, chamou a atenção para os conflitos no Sudão, RDC, Somália e norte de Moçambique, além do terrorismo, extremismo violento e criminalidade transnacional. O responsável defendeu reformas urgentes, um sistema de alerta rápido e o reforço do financiamento do Fundo para a Paz, que considerou “quase inoperacional”.