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Relação tensa entre UNITA e PRA-JA: divergências financeiras ameaçam aliança política

A Frente Patriótica Unida enfrenta turbulências internas devido à crescente tensão entre a UNITA, liderada por Adalberto Costa Júnior, e o PRA-JA Servir Angola, de Abel Chivukuvuku. A discordância gira em torno do cumprimento de acordos financeiros firmados entre as partes após as eleições gerais de 2022.

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Há 3 meses
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Segundo fontes próximas à Frente Patriótica, o PRA-JA exige 20% das receitas provenientes dos resultados eleitorais, o equivalente a 120 milhões de kwanzas trimestrais. No entanto, a UNITA tem repassado apenas 10% desse valor, cerca de 50 milhões de kwanzas. A UNITA, por sua vez, recebe aproximadamente 860 milhões de kwanzas trimestralmente do Orçamento Geral do Estado, resultado do desempenho nas eleições de 2022.

Posições antagónicas

Dirigentes do PRA-JA acusam a UNITA de incumprimento e falta de transparência. Durante uma conferência de imprensa realizada em Dezembro de 2024, Abel Chivukuvuku reforçou a independência do seu partido ao afirmar: “O PRA-JA é PRA-JA, a UNITA é UNITA. Se nos revêssemos na UNITA, não teríamos criado o PRA-JA.”

Por outro lado, o porta-voz da UNITA, Marcial Ndachala, minimizou as críticas, argumentando que comparar o PRA-JA, uma formação recente, com partidos históricos como a UNITA, é desproporcional. Ndachala também sublinhou a necessidade de cada organização consolidar a sua identidade política.

Alegações de desigualdade

No seio do PRA-JA, algumas vozes apontam que a UNITA tem tratado o partido liderado por Chivukuvuku como um parceiro menor. Um dirigente do PRA-JA desabafou: “Quem não é honesto na repartição do pequeno bolo, não será no grande. O país é de todos nós, e não aceitaremos que sejamos relegados ao esquecimento.”

Reação da UNITA

Fontes ligadas à UNITA garantem que haverá uma resposta proporcional às declarações dos dirigentes do PRA-JA. A promessa é de esclarecer os termos do acordo e reforçar os traços nos “Ts” e os pontos nos “Is”, como afirmaram figuras próximas à direcção do “Galo Negro”.

Risco de ruptura política

A disputa sobre as finanças e o futuro político da aliança coloca em risco a coesão da Frente Patriótica Unida. Para analistas políticos, uma possível ruptura entre a UNITA e o PRA-JA pode enfraquecer a oposição e comprometer as suas estratégias para as próximas eleições.

Com a tensão a escalar, o desfecho desse impasse poderá definir os rumos da oposição angolana e a viabilidade de coligações futuras.

PONTUAL, fonte credível de informação.