Sindicato denuncia abandono da educação em Angola no Fórum da CPLP
A presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Hermínia do Nascimento, criticou duramente a ausência de prioridade atribuída ao sector da educação em Angola, afirmando que o país “começa com A, mas a educação está na letra Z”, numa alusão simbólica à desvalorização crónica do ensino no país.

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A posição foi manifestada durante a abertura do Fórum Internacional da Educação dos Países de Língua Portuguesa, que decorre em Bissau até Sexta-feira, reunindo representantes sindicais de todo o espaço lusófono. Hermínia do Nascimento lamentou que, apesar da riqueza natural de Angola, milhares de crianças continuem a estudar em condições precárias, muitas vezes ao ar livre e sem mobiliário escolar adequado.
“Temos crianças a estudar debaixo de árvores, a escrever com os cadernos sobre as pernas. Isto diz muito sobre o compromisso do Estado com a educação”, declarou, apontando a falta de financiamento estruturado como um problema que transcende fronteiras e afecta grande parte dos países africanos.
A crítica à escassa prioridade governamental para o sector educativo foi reforçada por Heleno Araújo, secretário-geral da Confederação Sindical da Educação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE), que defendeu uma abordagem solidária entre os Estados-membros da comunidade. “Educação não deve ser campo de competição. Não precisamos de rankings, precisamos de igualdade. Se há primeiro lugar, há também um último. E isso, na educação, é inaceitável”, disse o dirigente brasileiro.
O também presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação do Brasil sustentou que os países da CPLP devem rever o peso da dívida pública, defendendo auditorias rigorosas que revelem até que ponto os compromissos financeiros actuais estão a condicionar os investimentos em áreas sociais essenciais como educação, saúde e habitação.
Por sua vez, o ministro da Educação da Guiné-Bissau, Henry Mané, saudou a realização do fórum e sublinhou que o país poderá financiar os seus sectores sociais com base na exploração sustentável das potencialidades naturais das ilhas Bijagós, recentemente classificadas como Património Mundial Natural pela UNESCO.
As conclusões do fórum serão compiladas num documento que será apresentado aos chefes de Estado da CPLP, reunidos em cimeira na capital guineense na próxima Sexta-feira.
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