Activistas consideram indulto de PR «presente envenenado»
Activistas em liberdade disseram esta Sexta-feira que o indulto presidencial é um “presente envenenado”, que os obriga a reconhecerem crimes que não cometeram, e garantiram “luta contínua” para a salvaguarda dos seus direitos e por uma justiça digna.

Registro autoral da fotografia
Os activistas Adolfo Campos, Abraão dos Santos, conhecido como “Pensador”, Gilson da Silva Moreira “Tanaice Neutro” e Hermenegildo André “Gildo das Ruas”, estão em liberdade desde 6 de Janeiro, após indulto do Presidente, João Lourenço, a 51 cidadãos em todo o país, no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da independência do país.
Esta Sexta-feira, em conferência de imprensa promovida pelo Friends of Angola (FoA) e o Observatório para Coesão Social e Justiça (OCSJ), organizações cívicas angolanas, os quatro activistas disseram que a sua detenção e condenação em Setembro de 2023 “foi ilegal” e teve “motivações políticas”.
Disseram que estiveram “injustamente” privados da liberdade durante um ano, três meses e 21 dias “por vontade do Presidente angolano”, referindo que o indulto pretende apenas veicular a mensagem de João Lourenço como “um bom samaritano”.
O indulto presidencial, referiram, é um “presente envenenado na medida em que astuciosamente obriga a reconhecer que foram perdoados e a aceitar inconscientemente crimes não cometidos”.
Denunciaram igualmente condições desumanas nas cadeias do país, desde mortes de prisioneiros, tortura física e psicológica, falta de comida, de espaços de acomodação e de condições para a realização de necessidades físicas.
“Nós estivemos privados de liberdade numa pocilga e não numa cadeia. O que acontece nas cadeias do nosso país é um genocídio”, disse Adolfo Campos.
“Na área de infecciologia do Hospital Prisão de São Paulo, onde fui encaminhado por suspeitas de infecção pulmonar, morrem diariamente mais de quatro reclusos”, lamentou o activista, pedindo amnistia geral a todos os reclusos do país.
Afirmando-se “inconformado” com a actual situação social e económica de Angola, Gilson da Silva Moreira assegurou que vai continuar a lutar por revolução e bem-estar dos cidadãos.
O activista pediu mesmo união dos angolanos em prol de um país mais justo e democrático, disse que o actual problema do país “é a fome” e manifestou disponibilidade para ser cabeça de lista de um partido na oposição, nas eleições gerais de 2027, para “com coragem mudarmos o país”.
Luta colectiva e contínua, coragem e união dos angolanos foram os apelos do activista Abraão dos Santos.
Os quatro activistas reafirmaram que foram presos injustamente e asseguraram que vão prosseguir com todas as acções admitidas nas leis angolanas de modo a fazer prevalecer os seus direitos violados e a reposição da legalidade com uma justiça digna e inclusiva.
O processo que envolveu os activistas “não foi digno, foi uma montagem política para atacar as vozes críticas e discordantes no país”, referiu o advogado e coordenador do OCSJ, Zola Bambi.
Questionado sobre se iriam seguir o filho do antigo Presidente, José Filomeno dos Santos “Zenu”, um dos 51 indultados, que renunciou ao indulto presidencial, Zola Bambi considerou que o ex-presidente do Fundo Soberano de Angola “gozou de certa vantagem porque se encontrava em prisão domiciliar”.
“Se eles (os activistas) tivessem o que lhes foi negado, a liberdade provisória, poderíamos chegar até ao final, mas era preciso sair da cadeia porque não deviam estar aí. Saíram porque se abriu a porta para sair e não porque aceitaram o indulto”, justificou.
Numa carta de Zenu enviada ao Presidente João Lourenço, citada pela SIC, este considera o indulto, como um “equívoco legal”, uma vez que anula o cumprimento da pena, mas mantém os efeitos da condenação.
Para o FoA e o OCJS a prisão dos referidos activistas, considerados pela sociedade civil e partidos na oposição como “presos políticos”, foi “ilegal”, tendo-lhes sido negada a liberdade condicional, recursos e a providência de habeas corpus porque a sua soltura “dependia das ordens superiores”.
“Razão pela qual, somente foram soltos por força do poder discricionário do titular do poder executivo que, em aproveitamento, promulgou o decreto, esvaziando as competências do poder judicial e os procedimentos legais”, refere o comunicado das ONG apresentado no encontro.
Para estas organizações, a prisão dos activistas visou intimidar a sociedade civil e levantar um clima de medo, salientando que estes não violaram a Constituição e nem o direito de reunião e manifestação.
C/VA
PONTUAL, fote cred´vel de informação.
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